terça-feira, 24 de agosto de 2021

HÁ SEMPRE UM MURO NO CAMINHO DE UM SONHO.


Diferentemente do que deveria 
ser. Atolado num deprimente 
destino. Destino que suprime 
e banaliza a consciência 
do bem e do mal.
O homem deslumbra
sutilmente da sua petulância
e hostilidade.
Sorrir para solidão interior, 
esquecido na bedelha opinião 
do consumo. Com a obscena 
imoralidade de roubar 
o sorriso de muitos.
Busca a insatisfação 
que o destrói. Um prosaico 
púlpito de mortalhas 
sustentadas e arquitetadas. 
Procurando represálias 
no próprio irmão.
Concorrência que engana 
os valores da sua generosa evolução.
O homem é vulnerável, 
moralista e pervertido. 
Está em guerra há todo tempo 
com sua situação. Cem anos 
é pouco para seus pretéritos. 
Nu, compete e degringola 
suas transmutações. Se 
corrompe para abraçar uma 
frenética soberba.
Até quando a frieza de sua 
alma vai adoecer mentes?
Chutar o rosto do mendigo 
é fechar os olhos para 
desigualdade. Uma barbara 
sabotagem do descaso, 
louvado e confessado 
todos os dias.

PUJANÇA DA LIDA.
O sal das lágrimas,
vira a página da vida
ao som do tempo
que se ouve o agradável
caminho do aprender.
É livre o afeto que afeta
o que somos.
A sabedoria do tempo.
O peso no ombro
de rancores e dores
do dia a dia.
Um deserto escravista,
que contamina 
o teu pensamento 
dentro desse tormento.
O veneno no cálice,
o costume do mal,
transbordado de interesses
que degrada o espírito
de algo que está muito
morto, a carne do povo!
Perdida a esperança
que moldura o submundo
sólido de desejos
angustiantes.
Um buraco que algema
a sórdida violência.
Você drena a fome
que orgulha o mundo.
Como a perversa súplica
que depressa atropela
o percurso das mágoas
na soleira jornada
de trabalho.
É difícil engolir tudo isso!
Partir para a guerra
na primazia dissoluta
da mistura que depura
cores de gentes.
O ganha pão
que enlouquece
e apavora a líquida
piedade das pessoas.
Mergulhadas nas piores
insatisfações humanas,
docemente escabrosas,
sempre fora do alcance.
Os enganos reputáveis
e obcecados pelo pior
e desonesto vazio.
Nossa carne está
em uma insalubre
liquidação.
Estamos liquidados.
Voar é necessário!

ESCRAVIZADO.
O desespero devora
o embalo do amparo.
O ollhar da criança
é agressivo e temido.
Repleto de ódio,
receoso pela indiferença,
olho no olho.
Deixado às sombras
que conduz ao cartigo,
os maus tratos.
Cresce o moleque
amargurado.
Porque não há escolhas,
só o abraço do abandono
que emana do flagelado 
subúrbio.
Não se espante,
no alvoroço das ruas
o sorriso é distante.
Esfomeado e mal vestido,
sempre perseguido
pelos seguranças
do Supermercado vizinho.
É agredido pela perturbadora 
discriminação.
Arrependido por ter nascido
na pobreza.
Reconhece o mal que ressoa
na redondeza!
No percurso para casa,
trilhando o gueto,
cadáveres, ossos expostos,
crivados, macabros.
Degolados, pobre "diabos".
O garoto já acostumado
de tanto arrebato.
Agora, Pai de família,
lutando pela comida.
Nunca aceitara a dor
que o cretino patrão,
fazia-o agradecer
o de comer.
O desejo de superação
era a leveza no seu ser.
No diálogo:
- Nós temos urgência.
-Nossa juventude é abortada 
no lugar podre que vivemos.
-É muito caro o que se paga
em sangue.
Guerreiro pago para morrer,
sempre está onde a guerra
mora.
A calamidade empunha
a penúria, golpeando
seu dinheiro trocado
no mercado!
A noite, subindo a ladeira
do esteio destino.
O micro-ondas de gasolina,
derrete um corpo, em cima
do Morro.
O fogo remete à infância!
No barraco, ele beija suas 
crianças. Chora escondido,
sabendo que não existe um 
bom caminho para toda
essa crueldade.
Seu coração cheio de 
generosidade, infarta na 
calçada imunda da Saúde 
Pública.
Agora, o latifúndio
que lhe pertence
é a cova de toda gente.
E o que restou?!
Só o efeito libertador
do seu amor.
E o labirinto da dor?
São dúvidas da vida!

LAMÚRIA.
A lamúria dissonante, 
suspira no horizonte 
da humanidade.
Ando protestando 
pelo o amor.
E nunca irei parar 
de protestar.
Queria acordar 
e ver esse país,
com a elegância 
do valor pelo trabalhador, 
que sustenta toda 
essa delinquência.
O fardo é pesado 
para maioria.
E a minoria sintoniza 
o silêncio da promiscuidade, 
ocultando a maldade.
Amputando a clemência 
do grito que afoga 
o desespero da sobrevivência.
Falta comida para as famílias
famintas.
Estamos pedindo comida, 
na rua da bonança que vadia 
a política.
Estamos fadados a essa 
aberração.
Driblando a situação
do momento, na tocaia 
do alimento.
Detestável momento, 
do subalterno abscesso 
que vivemos.
A dor no estômago 
das crianças, é negada 
ao berço da ganância.
País da desonra!
A jaula do engano, acolhe 
o que resta.
A engrenagem dilacera 
os condenados.
O arrasto é nefasto!
Livre-se da escrava 
indigestão do Sistema. 
A ferida está em carne viva. 
A crise é nossa.
Mas, o lucro é deles!

DESORDEM.
A palavra ordem na bandeira,
só segrega os predadores.
A ordem fardada,
Inundada de crimes
é sangria que oprime.
Na lapela do covarde,
o terror do mal,
nutre o Estado anormal.
O domínio da pólvora,
não esconde a violência
que o devora.
Jagunço do poder,
o Pastor Polícia,
é o mesmo milícia.
Bate no que tenta a sorte,
bate no vendedor,
no ambulante que chora
pela caixa de isopor. 
Espancado a todo vapor,
não abre mão da sua lida, 
destrói sua própria mercadoria, 
e grita:
-Não quero uma vida bandida!
Precisamos de motins
nas ruas. O punhal no
punho. A livre luta, sem
medo e nenhum remorso.
Os dentes serrados,
sem sorrisos nos lábios.
Porque a cor é o alvo
de homens pardos,
num injusto cenário
que mutila a sociedade.
A escuridão do ódio,
expulsa o amor e a bondade.
A luta pela sobrevivência
tem o cheiro de morte.
E o direito do trabalho
é desrespeitado.
Carregamos no peito
a tristeza de viver.
Agredido pelo poder,
continuaremos a sofrer,
a espera por igualdade.
Porque o nome da minha
gente é honestidade.
Nessa sacanagem que
mantem a "Ordem"
e a morte do meu povo.
Desordem é o ângulo
da verdade.
Não abaixe a cabeça
para a excreção da 
opressão. Uma centelha 
de força, semea a luta, 
bravamente, brasileira. 
A ordem da bandeira
que se fôda!

NO OLHO DA RUA.
Meu pensamento é perigoso.
A margem do meu rio
é um caminho marginal.
Eu tenho uma prece:
-Ajudar as pessoas é um luxo!
Meu coração é dissipado
pelo descaso quando escuto:
-Botaram fogo nos barracos.
O semblante escorre
no córrego do sofrimento.
Não dá para ser elegante.
As garras do mal
decompõe os dias,
oferecendo ao morador
a dor das ruas.
Um tumor agressivo
na carne do abandono!
Agora, pai, mãe e filho.
Deitados no chão,
sem abrigo e nem destino.
Na praça da cidade,
a fome do garoto, admira
o bronze no busto do escroto.
A estátua do contrabandista 
de vidas é história onde moras.
O sopão chega para fila.
Tudo calmo na calada maldita.
O pirão tem gosto de violência.
O menino descalço,
já deitado para o frio
do abismo.
É atingido por vários disparos.
Foi vítima de uma chacina.
A mãe suicida, é encontrada
pendurada pela corda.
O pai alcoólatra,
chora nos bares ao lembrar
que amanhã irá passar
pelo indigno que lhe
destruira por dentro.
Pai sonhador, 
seca as lágrimas, 
respira fundo,
pede mais uma dose
fiado no balcão da 
lamentação.
O desnorteado cidadão,
Agora velho e andarilho,
foi varrido como lixo,
recolhido para o hospício.

TRABALHADOR.
Não escolha a cabeça
do indivíduo que irá
chutar. Com certeza é um
rosto doloroso e revoltado.
Com lágrimas e temor inebriante, inundado pela maldita fecundação
da fome. Recolhe seus pedaços 
por partes, porque haverá vereda 
e ceia do seu corpo.
Desmaia aos pés da rotina, 
aceitando a fuga da íntima 
esperança que cambaleia
em busca dos seus sonhos.
Como uma árvore e seus 
longos galhos sustentáveis.
Entra o que é sujo, saí o
que é puro.
Desejos e ambições,
apontam a arma que
decepa sua cabeça com 
a lâmina cega da vida.
Colher o "sucesso" surrado
é a única solução para o dia!
Mais uma alvorada que se 
madruga, faça sol ou chuva. 
Estará com a dignidade no 
peito e a cabeça esmagada
de tanto preconceito que irá 
enfrentar.
Mais uma vaia para quem
se alimenta dos destroços 
Humano, que volta para
casa, trazendo a migalha
que satisfaz suas
sementes(filhos).
A pinga é sua cultura.
O balcão do bar é o lazer.
Anônimo do mundo,
escondido de tudo,
mal pago, cansado do trabalho. 
Foi atropelado
pelo um carro na esquina 
desconhecida chamada:
"A Padecida".
Vida sofrida do João da Dor.
Sinônimo de trabalhador.

MORADA.
Onde a dignidade mora,
a paz carrega uma arma.
O subnutrido soldado
reza, ora, pede e agradece.
Porque a violência 
é um mergulho no escuro.
O coturno passa correndo
com o cessamento 
de liberdade. 
Não trouxe rosas, nem
caridade.Trouxe opressão 
e a maldade.
Onde a dignidade mora,
os abutres estão apavorando.
No bar, mais uma dose
para o santo.
A lei é sempre na cintura,
encarando no olho,
esperando o último instante
para derramar sangue.
Onde a dignidade mora,
todo ano tem enchente,
a enxurrada não falta
na quebrada.
O pequeno órfão,
perde-se na correnteza,
transborda-se tristeza,
foi levado pela Cheia.
Onde a dignidade mora,
desenterram corpos em
cemitérios clandestinos.
Tem moradas em cima
de ossadas.
E o calvário no sistema 
penitenciário, dá dinheiro
pra caralho.
Onde a dignidade mora,
o caminhão de lixo
aglomera o povo
com a cara do imposto
para fila do osso.
Onde a dignidade mora,
a igreja bate carteira,
o céu é prometido,
o pastor vira político,
e na bancada do congresso,
participa do gabinete secreto.
A dignidade é você,
que paga as mordomias
de bandidos, o cartão 
corporativo, os auxílios
dos engravatados que
nunca vão ser condenados
pelos seus atos.
Onde a dignidade mora,
tem um povo indignado
com tudo isso, afirmo!

CAMINHO DIVINO.
O Amor plantou uma flor
no coração do mal.
Caminhando pelo vento
gelado, com os segredos
não revelados,
passo a passo ao ar.
O oco da cobiça,
tortura os vivos e silencia
a redondeza que desova
o desassossego de revoltas.
Arde por dentro, olhares
arregalados, intactos
como flechas no espaço.
Admirado, pede clemência
por pessoas nutridas de carência.
O Arquiteto do Mundo
sonha em desvendar
a cura de tudo.
Mas, ainda não temos idade
para beijar a eternidade,
e alguma hora ela chegará
e enterrará todos os
pensamentos.
Pensamentos que são
espirrados pelo verbo,
como uma tempestade
de remorsos.
O Divino continua o caminho, tropeçando nas ruas
e pedindo.
Sincero, abraça o espinho
da falsidade.
Discreto, aperta a mão
dos bastardos de compaixão,
que andam pelas ruas
distribuindo alimentos
nas madrugas, matando 
a fome dos que pedem 
ajuda. 
Pois, lá está o tempero
de Deus.
No espinho, no pedindo,
lavando os pés dos que
precisam do caminho divino.

Na Esquina de Brasília.

No Mercadinho em Brasília,
a simpatia era uma figura leve,
sua roupa cheirava a enxofre,
tinha a cara do Nordeste.
O bom diálogo,
tinha laços amargos.
No bagageiro levava
um sotaque do bem.
Amedrontado, meio
bicho do mato, batia
palmas em todas as casas.
Pedia com calma um caroço
de comida, mas o rancor do
NÃO, estava na beira 
do portão.
O peso do dia trazia
muitas mentiras!
E uma voz surgira
no mercadinho da esquina,
parando sua atenção.
Era o proprietário, elitista.
Discutia sobre política:
-E a eleição, Jão?
-O ladrão...
-Vou embora!
-E o dólar?!
Chovia, e o morto de fome
era sequestrado pelo cheiro
do salgado que vinha do
próprio mercado.
Lá, havia uma padaria.
E a caminhada se estacionava.
A fome no olhar era clara.
Na calçada, protegendo-se
da água, sorria com à alegria
das crianças que deslizavam
ladeira abaixo.
Os surfistas do bueiro eram
a diversão entre os receios.
"Mas o caroço no angu,"
torturava o que escutava...
A conversa do dono
do Mercado, que resolveu
expulsá-lo do frio abrigo, acolhido:
-Vá embora mendigo!
Incomodado, respondeu-o:
-Embora vai é o senhor,
para um país rico.
Escutou-o e retrucou:
-Você parece esclarecido?!
Têm pai, mãe...?
Respondeu:
-Sim!
Minha mãe ainda é viva,
uma linda nordestina.
O meu pai era Petista.
O dono do estabelecimento
fechou a cara com raiva.
Mas, continuou a indagar:
-E você, por curiosidade...?
Respondeu-lhe com orgulho e dignidade:
-Eu sou o Maranhão, o Piauí,
a Bahia...eu sou a lida.
Você sabia?
Essa tímida face sofrida,
têm as mãos que construíram
Brasília.
A história da sua vida!
- Por favor, retire-se da minha "vendinha."
-Com muito prazer, mas
não conto mentiras.
No Nordeste falamos na "lata".
A verdade dói, mas não mata.
Conheço-a no carinho do
meu melhor amigo chamado
cachorro. Verdadeiramente,
Bob.


A desesperança, aproxima-se do dia.
A cidade tem seu jeito meio louco.
Roubaram minha alma na esquina,
enquanto colocava a mão no bolso 
para caminhar com a tristeza.
Estamos completamente
perdidos. Muitos foram envenenados
pela cobiça. O cheiro do Enxofre
Cotidiano é periclitante.
A engrenagem cospe sangue.
E não se esconde, rasteja-se na 
profundeza do egoísmo.
Até Deus cansou...
Cansou de ouvir sua própria voz.
Ele fugiu para imensidão.
Era a única solução.
E não voltou para almoçar.
Ele foi descansar do caos.
Porém, o caos é livre.
Tem um semblante
que encara o trabalhador.
Uma cara feia, que humilha 
o entregador. Ele é a injustiça 
do dia. O que maltrata a maioria.
Os que estão na correria.
O pai de família, cansado pelo peso 
do fardo. Porém, honesto e educado.
O trabalho é o seu recado.
És um abençoado.
O que passa o dia, entre
mormaços de óleo queimado
e fumaça de carros.
A jornada afoga a correria,
trazendo pensamentos na família,
engolindo a comida
da sua marmita fria.
De sol a sol, cansado com
a truculência nas ruas,
que não perdoa os filhos do mundo.
Não quero olhar no olho do desrespeito.
Não quero encarar essa merda.
Aonde se cultiva a escrotidão.
Todo meu desapego!
Porque a sinceridade impregna,
ela é perigosa e incomoda.

Livre-se.
Na alameda do doce
alimento para o pensamento,
o aborto do tempo
me levou ao desperdício.
Com tamanho afinco,
viajei imaginando
a sombra, finar-se da morte.
No rebordo dos lábios mundano,
sempre apressado,
vesti-me a roupa das ruas,
pulando a tristeza da vida,
apaziguando a crueldade.
Cansado de pessoas
tateando a cobiça,
ameaçando a paz.
A covardia das igrejas,
aonde a bondade, encontra-se
no meio do inferno.
Somos tão doentes como
nossas vítimas,
devorando a carniça,
reacendendo as trombetas,
na existência do sofrimento.
Isso é uma verdadeira quimera!
Rostos vazios, corpos esmagados.
Carros soluçando no trânsito,
o céu em relâmpagos,
não me cura a solidão.
É como ver você
comer sua própria merda.
Parece esperar pela loucura,
pela morte, ou pelo médico
na fila do desespero, 
degolado à guilhotina do emprego.
Dias ao relento,
respirando o ar do cidadão,
andando pela confusão.
Você não vale nada morto,
é doloroso, mas quero ser livre. 


Grito no Vazio.
Estou ferozmente batendo
os pés contra o vazio das pessoas,
uma grande corja. Não respiro bem. 
Penso: o que vai te levar ao túmulo?
O sufoco do dia? Ou a façanha
da finitude?
O desespero está ocupado,
a verdade tem várias interpretações.
Topei com a leveza do abraço solidário,
a eternidade incerta, a fadiga acumulada. 
O purgatório, um porre convulsivo.
Estou agulhado. Somos acumulados,
uma enxurrada de imundície.
O progresso na rotatória, cheirando cola.
Estou distante, apesar de enfurecido
no seio indomável do planeta.
Dias de sol renovam gestos simples,
de um dia sem pressa, pela resistência, 
pela resiliência.
Meu menosprezo molda a sorte,
mesmo no denso frio do consolo.
Um drama. Vende-se espiritualidades. 
Comeremos o cadáver do absurdo,
que não pode ser comum.
Temos que ser incertos.
Eu me cobro. Prevaleço a gritar pelo 
buraco da bala no uniforme escolar,
parte do abate que me corroe
o estômago enquanto velo os sonhos.

Há sempre um muro no
caminho de um sonho.

Mundo Calado

Há dias que não ouço uma voz humana,
nem vejo um rosto do outro lado. 
Há dias em que não consigo ver o sol. 
Parece um ar doentio, 
mas me protejo na invisibilidade, 
rompendo a escuridão da manipulação. 
Nenhum mérito para o Cotidiano-
as vozes andam sumidas, 
nada atraente, 
apenas pedaços mortos.
Não escuto o esperado barulho da cidade. 
Lá estão todos os problemas, porta afora, 
o mafioso exorcismo de nós mesmos, 
aguçando o fundo do poço social, 
alimentador do pânico, babando. 
E tudo é dramático, é natural-
uma tragédia, um verniz do atraso, 
camuflado.
Fujo das asneiras moralistas, 
não tenho jardins verdejantes. 
Mas deixei para trás a necessidade 
de chamar atenção.

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