terça-feira, 27 de agosto de 2024

Para música

DESORDEM.
A palavra ordem na bandeira,
só segrega os predadores.
A ordem fardada,
Inundada de crimes
é sangria que oprime.
Na lapela do covarde,
o terror do mal,
nutre o Estado anormal.
O domínio da pólvora,
não esconde a violência
que o devora.
Jagunço do poder,
o Pastor Polícia,
é o mesmo milícia.
Bate no que tenta a sorte,
bate no vendedor,
no ambulante que chora
pela caixa de isopor. 
Espancado a todo vapor,
não abre mão da sua lida, 
destrói sua própria mercadoria, 
e grita:
-Não quero uma vida bandida!
Precisamos de motins
nas ruas. O punhal no
punho. A livre luta, sem
medo e nenhum remorso.
Os dentes serrados,
sem sorrisos nos lábios.
Porque a cor é o alvo
de homens pardos,
num injusto cenário
que mutila a sociedade.
A escuridão do ódio,
expulsa o amor e a bondade.
A luta pela sobrevivência
tem o cheiro de morte.
E o direito do trabalho
é desrespeitado.
Carregamos no peito
a tristeza de viver.
Agredido pelo poder,
continuaremos a sofrer,
a espera por igualdade.
Porque o nome da minha
gente é honestidade.
Nessa sacanagem que
mantem a "Ordem"
e a morte do meu povo.
Desordem é o ângulo
da verdade.
Não abaixe a cabeça
para a excreção da 
opressão. Uma centelha 
de força, semea a luta, 
bravamente, brasileira. 
A ordem da bandeira
que se fôda!

domingo, 9 de julho de 2023

Projeto para vídeos.

A metamorfose é irreversível. Depois que voa, a Borboleta jamais volta a rastejar.
O mais valioso presente que você pode oferecer a alguém é o seu tempo, a sua atenção, o seu amor e o seu interesse.
Desde de que a minha vida saiu dos trilhos,
sinto que posso ir a qualquer lugar. 
Morreu de quê?
Se sufocou com as palavras que nunca disse. 
O sorriso, muitas vezes, é um abraço que se dá de longe. 
Na poça da rua,
o vira-lata
Lambe a lua.
Acordei bemol
Tudo estava sustenido 
Sol fazia
Só não fazia sentido. 
Tem gente que pensa 
que o paraíso na Terra 
será implantado à bala.
O vento move 
As folhas de um livro 
Esquecido aberto. 
Ditadura:
Mole pra quem dita,
Dura pra duvida.


segunda-feira, 24 de outubro de 2022

CONTOS É REVIVER.

Na manhã seguinte, Bil pesquisou sobre medicina na biblioteca pública do centro da cidade. O local, pouco conhecido por sua vastidão e diversidade de conhecimentos, abrigava até mesmo um porão com livros desordenados e empoeirados. Foi nesse ambiente que Bil se envolveu em um encontro íntimo com uma prostituta no banheiro.
Em frente ao imponente monumento, uma escadaria atraía diferentes grupos, proporcionando uma visão deslumbrante de uma praça encantadora. No entanto, Bil não se importava com a cultura local; seu interesse residia nos recantos silenciosos da biblioteca, onde os livros menos explorados o cativavam.
A frequência matinal de Bil era tão notável que a funcionária já o reconhecia. Ele se dedicava a estudar Anatomia Humana, abrindo páginas de enormes livros com imagens impactantes. Enquanto isso, nas ruas ao redor da praça central, Bil obtinha dinheiro de forma despreocupada, destinando-o a drogas e álcool.

                                  02

O lodaçal vivido por Bil só começou no centro daquela linda cidade tropical. Após dias e dias de barulhentas frequências e batuques musicais na escadaria da biblioteca, jovens loucos por diversões e outras coisas a mais, reuniam-se por amizades fugazes; muitos colegiados apareciam e sumiam em forma de rotatividade. Embriagado de liberdade e bebidas alcoólicas baratas, Bil tramava com os demais a busca da fumaça proibida. Um dos malditos era escolhido para ir na biqueira. Não poderia haver falhas, e sempre rolava fumaça.
O fluxo do centro não parava. Trabalhadores iam e vinham rotineiramente. Quem se encontrava para bater um bom papo eram cabeças pensantes no meio daquele lugar. O violão não parava, e a rapaziada afoita incomodava ao redor da biblioteca, convenhamos que não era nada conveniente para um ambiente de silêncio. E, naturalmente, todos foram expulsos pelo arrogante e ameaçador diretor.
Banidos daquele ponto de encontro, foram se reunir no canto da praça. Daí nasceu um movimento. Malucos fanáticos por rock dividiam alegremente seus conhecimentos e divulgavam panfletos artesanais, uma cena regada literalmente a sexo, drogas e rock 'n' roll. E Bil, exacerbado, saciava-se daquilo tudo.

                                  03

VERA.
A meretriz Vera se arrumava para encontrar o seu precioso Bil. Mulher da vida, linda, com um corpo que chamava a atenção dos homens em toda esquina. Negra de estatura alta e lábios carnudos, ela exibia-se por saber da sua própria beleza. Delicada e raivosa, Vera vivia no encalço de Bil. Em poucos minutos, o telefone tocou na casa de Bil.

"Olá, meu garoto", disse Vera.

"Oi, minha preferida."

"Vamos dar uma volta hoje?" perguntou ela. "Estou querendo ver o Precioso."

"Sim, encontro você à porta da biblioteca pública."

"Beleza, rapazinho!"

Bil, com sua juventude a todo vapor, correu para o banho no chuveiro. Após se produzir com roupas limpas, desodorante e água de cheiro, plantou-se à porta da biblioteca. Não demorou para Vera chegar, com aquele ar de mulher sensual, ao desfilar com o toc, toc de seu calçado de salto alto, sempre sorridente ao mascar um chiclete.

"Olá, meu Bil."

"Hoje o prazer é por conta da casa", disse ela.

"Vamos aonde?"

"Hotel?"

"Não, hoje vou te levar a um lugar misterioso, um lugar escondido e excitante", disse Bil. "Quero procurar livros obscuros nesta biblioteca."

"Onde?"

"Me acompanha, por favor."

Eles adentraram o estabelecimento e dirigiram-se ao porão. Em seguida, Bil se debruçou para procurar livros de magia. Cansado de não encontrar nada, suava pelo rosto e olhava para a beleza de Vera. Ela se distraía olhando aquele lugar maluco, abismada por não haver saída de ar, ficara assustada! Em seguida, Vera tirou a sua própria roupa, e Bil retrucou:

"Aqui não, sua maluca. Vamos para o banheiro."

Saíram às pressas pelo corredor aos beijos. O ato sexual no banheiro durou até o jorro do prazer acontecer e ambos gritarem por mais. Ao saírem do estabelecimento com aqueles olhares de desconfiança e os sorrisos cínicos um para o outro, deixaram uma pulga atrás da orelha dos funcionários na portaria. Bil perguntou:

"O que será que eles estão pensando de nós dois?"

"Eu adoro o perigo," disse ela.

Naquele dia, Vera e Bil gargalharam sem parar pelas ruas da cidade ao lembrar do escaldante banheiro. Depois, se afogaram em bebidas alcoólicas pelos bares localizados na histórica ilha.

"A história de Bil certamente envolve muita emoção e aventura. Parece que ele tem uma relação cheia de surpresas e paixão. A vida dele parece ser uma mistura de perigo e prazer, explorando lugares inesperados e desafiando convenções sociais."

                                 04

PORCOS FARDADOS.
A galera se reunia no canto da praça pública todos os dias da semana, mas o sagrado dia era a sexta-feira. Quem matava aulas não se escondia; vestir os coloridos e ridículos fardamentos colegiais os identificava. Bil era do curso da saúde, por isso, sua obsessão por livros de necropsia em pesquisas. A rapaziada sentava naquele chão de pedras, formando uma roda de pessoas, com um violão de praxe nas mãos e uma garrafa de cachaça no meio do pessoal; entre goladas de boca a boca, não demorava muito para a bebida acabar. O vai e vem do cigarro ia até a guimba queimar os dedos do último viciado. Joe, amigo de Bil, pedia dinheiro para quem passava ou chegava no lugar.

"Vamos juntar uma grana," dizia Joe para os outros.

Alguns colaboradores supriam as bebidas que eram compradas por um garoto de pouca idade em cima de um skate. Ele descia a ladeira, felizmente, pelo asfalto e obstáculos do Centro da cidade, pois lá no comércio do Sr. Zé, a água ardente tinha preços mais baratos. A música não parava, ao som da viola e de quem ousasse tocar aquelas cordas sonoras.

A presença constante da patrulha na praça descontentava os revoltados. Na sexta-feira, os policiais eram bastante ostensivos, pois o local se transformava em uma festa estranha com diversas tribos. E quem argumentasse algum abuso de poder na revista de rotina era diretamente agredido pelos homens de botas e fardas azuis.

Abaixo da praça, no estacionamento, flanelinhas furtavam carros com um método que só eles sabiam utilizar, barbantes nas mãos e uma técnica de abrir as portas dos veículos que só MacGyver saberia explicar. Mas na turma em cima da praça não havia dedo duro; a vista grossa dizia que ninguém tinha a ver com aquilo. Nas ruas, X9 é sinônimo de morte. Os bêbados amadores vomitavam suas bile no meio-fio da sarjeta. A erva proibida era sempre consumida escondida pela malucada que adentrava em um buraco feito na parede de um casarão abandonado na rua 38. Lá não havia saída, e a aglomeração de viciados constantemente amedrontava Bil; fumar naquele ambiente sujo de merda e lixo era pavoroso. Quando Joe gritou:

"Sujou, são os porcos de fardas!"

O pulo salvaria os mais espertos. Todos fugiam como ratos saindo do esgoto. E quem ficasse encurralado sofreria as consequências de borrachadas e botinadas dos porcos de fardas.

                                   05

A MANSÃO ABANDONADA. 
Na Mansão Drake, existia uma família verdadeira e pura: pai, mãe e um casal de pequenos filhos. O sítio isolado, com uma ampla dimensão à volta da floresta, justificava uma infância livre, calma e divertida para as crianças. O cão Beethoven, atento a tudo, despreocupava os pais pelo seu instinto protetor. Certo dia, a tragédia aconteceu! O mascote latiu de forma diferente, alertando para a área de lazer da casa. O pai Drake correu e viu sua filha Clara submersa na água da profunda piscina. Gritou desesperadamente ao constatar que ela já estava sem sinais vitais. O óbito da pequena foi confirmado pelo socorro médico que chegou horas depois. Essa maldita mansão foi abandonada durante anos devido ao afogamento, deixando a família Drake em depressão e desgosto pela casa. Após anos, um caseiro com sua humilde família passou a viver no local. Nas proximidades, havia um conjunto habitacional onde moravam garotos sonhadores e loucos por rock. Bil e a galera tiveram a genial ideia de fazer um show de bandas alternativas, com tochas de fogo na entrada do sítio e bilheteria gratuita para todos. O difícil foi convencer o caseiro Ribamar a intermediar uma autorização para a liberação da mansão Drake. Ao conversar com o responsável e confirmar a festa que movimentou a cidade inteira, uma explosiva divulgação por radiodifusão e televisão sucumbiu às mídias. Bil sorria com a hilária "inocência" do caseiro, que sem saber o que iria acontecer naquela noite fúnebre, propôs a venda de laranjas, uma ingênua ideia junina que passara por sua cabeça. Bil e sua rapaziada concordaram com o velhinho num instante de delírio dependente de bebidas. O Sr. Ribamar tremia só de pensar na pinga que iria bebericar à noite. O show começou pegando fogo, uma multidão de pessoas saiu de todos os lugares periféricos da ilha encantada. A divulgação sobre a "rocada" foi longe demais. Dentro da mansão, uma imensa escuridão; na área atrás da casa, a cisterna da piscina servia como palco das apresentações. Na piscina, havia uma imunda água, exalando o líquido apodrecido nos quadrados de azulejos, desde o afogamento da pequena Clara. Ratos, cobras, insetos, moluscos contagiosos, lodos, lixos e todos os tipos de porcarias traziam à água um visual peculiar para a festa underground. Todos os roqueiros, loucos e fanáticos ficaram deslumbrados pela mansão. O Metal começou a pulsar com os instrumentos raivosos das bandas de cada estilo. A roda de dança girava como um triturador humano, e nessa empolgação da moçada, chutaram a bunda de Flavinho, que desequilibrado, acabou caindo na piscina e, incapaz de sair da situação, ficou um bom tempo na água sinistra. Ele foi puxado pelos braços, quase afogado. Foi salvo! Flavinho teve diarreia, seborreia, quatro tipos de verrugas, frieira entre os dedos e impingem pelo corpo inteiro. Hoje, ele está vivo, curado e consciente daquela terrível noite de rock'n'roll, na madrugada em que não deveria ter saído de casa. O Sr. Ribamar bebeu a noite toda com as impiedosas garotas Darks, no obscuro cenário sexual de sua própria imaginação. E Bil, sumiu! Após o histórico show, a Mansão Drake foi demolida pela prefeitura, alegando que havia uma maldição no lugar.



######################
*Setembro, nas férias 
em São Luís.
Exatamente, na feirinha da 
Praia Grande. Uma pobre, 
atendente de um dos bares 
localizado nas Tulhas. 
Por vias de contradições, 
entramos em uma severa 
discussão politiqueira.
A mesma se descabelava
quando eu chamava o Bozo 
de assassino, talvez pelo grau 
de desinformação, ela jamais 
saberia o que erá um genocida. 
Uma senhora visivelmente 
com problemas
mórbidos(sengundo-a sem 
vacinar). Agredia-me 
verbalmente, como se eu fosse 
um desinformado. Porém, 
tentei inutilmente, fazê-la
entender a desgraça que esse 
presidente fez contra 
a ciência, que acarretou um 
caos na Saúde Nacional. 
E que eu estava vendo, 
vivendo e lutando corpo 
a corpo com a desgraça 
mundial. 
Tentei explicar para mesma 
que eu era um sobrevivente 
de tudo aquilo...
Cheguei até a lhe perguntar 
se tinha visitado um leito 
hospitalar?
A mesma me respondeu:
-você que é da saúde, deveria 
ter morrido também.
O ódio dos Bolsonarentos 
é a máscara absurdamente 
diária que se vê na sociedade  
há décadas.
Não negue a ciência por 
opiniões de quem não sabe
abrir uma lata de azeitona.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Bordões

Dia 20 de Maio
lanço minhas ideias
entre becos e vielas,
no abraço embriagado
do calor de São Luís...
Ler Livros.
Além da criatividade de ideias.
A maneira intensa de
linguagens. A forma artística,
bonita de se ver. De se ler.
Transmitindo mensagens
profundas e permitindo
emocionantes delírios.
Esses são os livros.
Uma forma de questionar
a realidade pelo conhecimento.
Trazendo reflexões para
muitos e consolos à outros.
Esses são os livros.
O impulso do pensar,
surgindo imprevisível,
repetindo o que rapidamente
desaparecerá na imaginação.
Por isso, que se escreve.
É como meditar, às vezes é como conversar com uma voz
imaginária que reescreve a infância.
Traduzindo palavras para
entender um poema.
O poder de sentir o rascunho,
o esqueleto da estrutura literária.
O sabor das lendas, da época para época e suas culturas
poéticas. Às vezes, não
entendo nada. Às vezes me
corta como faca. E triste,
choro de emoção.
Ler livros é o caminho, mas
cada um tem o seu...
Calçar a leitura diária entre páginas de noites alérgicas
ao papel Moleskine. Porém, cada vez mais raro, os fardos
literários.
Mas continuará no meu colo, 
molhando os meus olhos, 
ao saber que muitos não têm 
o que ler, ou não lhes deram 
o direito de aprender...
Maravilha.
Os mares e oceanos cobrem
o planeta. As águas são
sustentáveis e densas de
nutrientes. A vida marinha
ainda é desconhecida. E o
céu que brilha os cacos
serenos da lua, ilumina a
suave dança da luz eterna.
Sua mudança, seu ciclo,
guiam nossos caminhos,
enfeitiçando os românticos.
Amantes poetas. 
Uma rainha que brilha à noite.
Com a luz que planta e
florece das trevas do
universo. O conforto calor
da sombra me traz paz.
O claro pensamento que nos
unem. Como montanhas,
guardiãs imponentes que se
erguem com a mais alta
sabedoria da aventura que
deslumbra o refúgio selvagem.
Um tesouro de meditação na
pequenez alma que separa
a jornada aberta ao horizonte.
Os reflexos espelhados,
refletem a vida.
Beleza dos dias calmos.
As vestes que mudam de
cores, com a nudez dos
sussurros dos ventos ao 
outono.
Vejo silenciosas pedras,
a história da Terra,
simplicidade e resistência.
A memória eternizada do
mundo. As esculturas das
nuvens criada pela brisa dos
sonhos que pairam acima de
nós, trazendo promessas de
renovação. São majestades
poéticas, crescendo e se
espalhando como a cura
para os doentes.
Maravilhosamente!
No topo do Corcovado,
tem um Cristo amado.
O Cristo Redentor,
iluminado de amor.
Um ícone Janeiro,
de coragem e desespero.
Transcende fronteiras,
Redentor da cidade
que pede por caridade,
que não feche os braços
para a humanidade.
Por favor.
Cristo Redentor.
D.S.


ESTILHAÇO

Meu caminho sopra na direção errada, 
pensando em voz alta, usando o
ilusionismo para retratar o perverso
que mais se relaciona conosco, 
no acidente existencial, onde o fim
nunca se conclui. 
O milagre da vida é inoportuno, 
sou a advertência da minha própria 
existência, um beijo desagradável, 
eu não sou fácil! 
Futuro corrupto. 
"Por que você está atrasado?" 
"Mas cheguei cedo!" 
Sou de outra época, 
que desfruta da vida tecnológica, 
se pudesse, enforcaria meus impostos. 
Vocês me consideram muito excêntrico, 
talvez doente, doente por não ser 
igual a todos que se encantam
pela moda, pelo caro, enganados,
pelo óbvio e o transparente. 
A certeza da dúvida se confunde 
no cotidiano. Mas a tendência 
é uma fila indiana sem fim. 
O desencontro é necessário para 
a saúde. Cruzo a rua com os olhos 
voltados ao chão, e isso basta para 
continuar desgarrado. Estou sempre 
desalinhado e sem importância,
pois a aparência não me importa,
essa é a ganância de vocês. 
A guilhotina é sedutora, estou tentando 
fugir do mundo, mas ele é perseguidor.
Temos uma teia de influência, ninguém 
foi capaz de me entender, todos me 
enxergaram como adversário, mas é
apenas um pedaço do meu estilhaço.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

HÁ SEMPRE UM MURO NO CAMINHO DE UM SONHO.


Diferentemente do que deveria 
ser. Atolado num deprimente 
destino. Destino que suprime 
e banaliza a consciência 
do bem e do mal.
O homem deslumbra
sutilmente da sua petulância
e hostilidade.
Sorrir para solidão interior, 
esquecido na bedelha opinião 
do consumo. Com a obscena 
imoralidade de roubar 
o sorriso de muitos.
Busca a insatisfação 
que o destrói. Um prosaico 
púlpito de mortalhas 
sustentadas e arquitetadas. 
Procurando represálias 
no próprio irmão.
Concorrência que engana 
os valores da sua generosa evolução.
O homem é vulnerável, 
moralista e pervertido. 
Está em guerra há todo tempo 
com sua situação. Cem anos 
é pouco para seus pretéritos. 
Nu, compete e degringola 
suas transmutações. Se 
corrompe para abraçar uma 
frenética soberba.
Até quando a frieza de sua 
alma vai adoecer mentes?
Chutar o rosto do mendigo 
é fechar os olhos para 
desigualdade. Uma barbara 
sabotagem do descaso, 
louvado e confessado 
todos os dias.

PUJANÇA DA LIDA.
O sal das lágrimas,
vira a página da vida
ao som do tempo
que se ouve o agradável
caminho do aprender.
É livre o afeto que afeta
o que somos.
A sabedoria do tempo.
O peso no ombro
de rancores e dores
do dia a dia.
Um deserto escravista,
que contamina 
o teu pensamento 
dentro desse tormento.
O veneno no cálice,
o costume do mal,
transbordado de interesses
que degrada o espírito
de algo que está muito
morto, a carne do povo!
Perdida a esperança
que moldura o submundo
sólido de desejos
angustiantes.
Um buraco que algema
a sórdida violência.
Você drena a fome
que orgulha o mundo.
Como a perversa súplica
que depressa atropela
o percurso das mágoas
na soleira jornada
de trabalho.
É difícil engolir tudo isso!
Partir para a guerra
na primazia dissoluta
da mistura que depura
cores de gentes.
O ganha pão
que enlouquece
e apavora a líquida
piedade das pessoas.
Mergulhadas nas piores
insatisfações humanas,
docemente escabrosas,
sempre fora do alcance.
Os enganos reputáveis
e obcecados pelo pior
e desonesto vazio.
Nossa carne está
em uma insalubre
liquidação.
Estamos liquidados.
Voar é necessário!

ESCRAVIZADO.
O desespero devora
o embalo do amparo.
O ollhar da criança
é agressivo e temido.
Repleto de ódio,
receoso pela indiferença,
olho no olho.
Deixado às sombras
que conduz ao cartigo,
os maus tratos.
Cresce o moleque
amargurado.
Porque não há escolhas,
só o abraço do abandono
que emana do flagelado 
subúrbio.
Não se espante,
no alvoroço das ruas
o sorriso é distante.
Esfomeado e mal vestido,
sempre perseguido
pelos seguranças
do Supermercado vizinho.
É agredido pela perturbadora 
discriminação.
Arrependido por ter nascido
na pobreza.
Reconhece o mal que ressoa
na redondeza!
No percurso para casa,
trilhando o gueto,
cadáveres, ossos expostos,
crivados, macabros.
Degolados, pobre "diabos".
O garoto já acostumado
de tanto arrebato.
Agora, Pai de família,
lutando pela comida.
Nunca aceitara a dor
que o cretino patrão,
fazia-o agradecer
o de comer.
O desejo de superação
era a leveza no seu ser.
No diálogo:
- Nós temos urgência.
-Nossa juventude é abortada 
no lugar podre que vivemos.
-É muito caro o que se paga
em sangue.
Guerreiro pago para morrer,
sempre está onde a guerra
mora.
A calamidade empunha
a penúria, golpeando
seu dinheiro trocado
no mercado!
A noite, subindo a ladeira
do esteio destino.
O micro-ondas de gasolina,
derrete um corpo, em cima
do Morro.
O fogo remete à infância!
No barraco, ele beija suas 
crianças. Chora escondido,
sabendo que não existe um 
bom caminho para toda
essa crueldade.
Seu coração cheio de 
generosidade, infarta na 
calçada imunda da Saúde 
Pública.
Agora, o latifúndio
que lhe pertence
é a cova de toda gente.
E o que restou?!
Só o efeito libertador
do seu amor.
E o labirinto da dor?
São dúvidas da vida!

LAMÚRIA.
A lamúria dissonante, 
suspira no horizonte 
da humanidade.
Ando protestando 
pelo o amor.
E nunca irei parar 
de protestar.
Queria acordar 
e ver esse país,
com a elegância 
do valor pelo trabalhador, 
que sustenta toda 
essa delinquência.
O fardo é pesado 
para maioria.
E a minoria sintoniza 
o silêncio da promiscuidade, 
ocultando a maldade.
Amputando a clemência 
do grito que afoga 
o desespero da sobrevivência.
Falta comida para as famílias
famintas.
Estamos pedindo comida, 
na rua da bonança que vadia 
a política.
Estamos fadados a essa 
aberração.
Driblando a situação
do momento, na tocaia 
do alimento.
Detestável momento, 
do subalterno abscesso 
que vivemos.
A dor no estômago 
das crianças, é negada 
ao berço da ganância.
País da desonra!
A jaula do engano, acolhe 
o que resta.
A engrenagem dilacera 
os condenados.
O arrasto é nefasto!
Livre-se da escrava 
indigestão do Sistema. 
A ferida está em carne viva. 
A crise é nossa.
Mas, o lucro é deles!

DESORDEM.
A palavra ordem na bandeira,
só segrega os predadores.
A ordem fardada,
Inundada de crimes
é sangria que oprime.
Na lapela do covarde,
o terror do mal,
nutre o Estado anormal.
O domínio da pólvora,
não esconde a violência
que o devora.
Jagunço do poder,
o Pastor Polícia,
é o mesmo milícia.
Bate no que tenta a sorte,
bate no vendedor,
no ambulante que chora
pela caixa de isopor. 
Espancado a todo vapor,
não abre mão da sua lida, 
destrói sua própria mercadoria, 
e grita:
-Não quero uma vida bandida!
Precisamos de motins
nas ruas. O punhal no
punho. A livre luta, sem
medo e nenhum remorso.
Os dentes serrados,
sem sorrisos nos lábios.
Porque a cor é o alvo
de homens pardos,
num injusto cenário
que mutila a sociedade.
A escuridão do ódio,
expulsa o amor e a bondade.
A luta pela sobrevivência
tem o cheiro de morte.
E o direito do trabalho
é desrespeitado.
Carregamos no peito
a tristeza de viver.
Agredido pelo poder,
continuaremos a sofrer,
a espera por igualdade.
Porque o nome da minha
gente é honestidade.
Nessa sacanagem que
mantem a "Ordem"
e a morte do meu povo.
Desordem é o ângulo
da verdade.
Não abaixe a cabeça
para a excreção da 
opressão. Uma centelha 
de força, semea a luta, 
bravamente, brasileira. 
A ordem da bandeira
que se fôda!

NO OLHO DA RUA.
Meu pensamento é perigoso.
A margem do meu rio
é um caminho marginal.
Eu tenho uma prece:
-Ajudar as pessoas é um luxo!
Meu coração é dissipado
pelo descaso quando escuto:
-Botaram fogo nos barracos.
O semblante escorre
no córrego do sofrimento.
Não dá para ser elegante.
As garras do mal
decompõe os dias,
oferecendo ao morador
a dor das ruas.
Um tumor agressivo
na carne do abandono!
Agora, pai, mãe e filho.
Deitados no chão,
sem abrigo e nem destino.
Na praça da cidade,
a fome do garoto, admira
o bronze no busto do escroto.
A estátua do contrabandista 
de vidas é história onde moras.
O sopão chega para fila.
Tudo calmo na calada maldita.
O pirão tem gosto de violência.
O menino descalço,
já deitado para o frio
do abismo.
É atingido por vários disparos.
Foi vítima de uma chacina.
A mãe suicida, é encontrada
pendurada pela corda.
O pai alcoólatra,
chora nos bares ao lembrar
que amanhã irá passar
pelo indigno que lhe
destruira por dentro.
Pai sonhador, 
seca as lágrimas, 
respira fundo,
pede mais uma dose
fiado no balcão da 
lamentação.
O desnorteado cidadão,
Agora velho e andarilho,
foi varrido como lixo,
recolhido para o hospício.

TRABALHADOR.
Não escolha a cabeça
do indivíduo que irá
chutar. Com certeza é um
rosto doloroso e revoltado.
Com lágrimas e temor inebriante, inundado pela maldita fecundação
da fome. Recolhe seus pedaços 
por partes, porque haverá vereda 
e ceia do seu corpo.
Desmaia aos pés da rotina, 
aceitando a fuga da íntima 
esperança que cambaleia
em busca dos seus sonhos.
Como uma árvore e seus 
longos galhos sustentáveis.
Entra o que é sujo, saí o
que é puro.
Desejos e ambições,
apontam a arma que
decepa sua cabeça com 
a lâmina cega da vida.
Colher o "sucesso" surrado
é a única solução para o dia!
Mais uma alvorada que se 
madruga, faça sol ou chuva. 
Estará com a dignidade no 
peito e a cabeça esmagada
de tanto preconceito que irá 
enfrentar.
Mais uma vaia para quem
se alimenta dos destroços 
Humano, que volta para
casa, trazendo a migalha
que satisfaz suas
sementes(filhos).
A pinga é sua cultura.
O balcão do bar é o lazer.
Anônimo do mundo,
escondido de tudo,
mal pago, cansado do trabalho. 
Foi atropelado
pelo um carro na esquina 
desconhecida chamada:
"A Padecida".
Vida sofrida do João da Dor.
Sinônimo de trabalhador.

MORADA.
Onde a dignidade mora,
a paz carrega uma arma.
O subnutrido soldado
reza, ora, pede e agradece.
Porque a violência 
é um mergulho no escuro.
O coturno passa correndo
com o cessamento 
de liberdade. 
Não trouxe rosas, nem
caridade.Trouxe opressão 
e a maldade.
Onde a dignidade mora,
os abutres estão apavorando.
No bar, mais uma dose
para o santo.
A lei é sempre na cintura,
encarando no olho,
esperando o último instante
para derramar sangue.
Onde a dignidade mora,
todo ano tem enchente,
a enxurrada não falta
na quebrada.
O pequeno órfão,
perde-se na correnteza,
transborda-se tristeza,
foi levado pela Cheia.
Onde a dignidade mora,
desenterram corpos em
cemitérios clandestinos.
Tem moradas em cima
de ossadas.
E o calvário no sistema 
penitenciário, dá dinheiro
pra caralho.
Onde a dignidade mora,
o caminhão de lixo
aglomera o povo
com a cara do imposto
para fila do osso.
Onde a dignidade mora,
a igreja bate carteira,
o céu é prometido,
o pastor vira político,
e na bancada do congresso,
participa do gabinete secreto.
A dignidade é você,
que paga as mordomias
de bandidos, o cartão 
corporativo, os auxílios
dos engravatados que
nunca vão ser condenados
pelos seus atos.
Onde a dignidade mora,
tem um povo indignado
com tudo isso, afirmo!

CAMINHO DIVINO.
O Amor plantou uma flor
no coração do mal.
Caminhando pelo vento
gelado, com os segredos
não revelados,
passo a passo ao ar.
O oco da cobiça,
tortura os vivos e silencia
a redondeza que desova
o desassossego de revoltas.
Arde por dentro, olhares
arregalados, intactos
como flechas no espaço.
Admirado, pede clemência
por pessoas nutridas de carência.
O Arquiteto do Mundo
sonha em desvendar
a cura de tudo.
Mas, ainda não temos idade
para beijar a eternidade,
e alguma hora ela chegará
e enterrará todos os
pensamentos.
Pensamentos que são
espirrados pelo verbo,
como uma tempestade
de remorsos.
O Divino continua o caminho, tropeçando nas ruas
e pedindo.
Sincero, abraça o espinho
da falsidade.
Discreto, aperta a mão
dos bastardos de compaixão,
que andam pelas ruas
distribuindo alimentos
nas madrugas, matando 
a fome dos que pedem 
ajuda. 
Pois, lá está o tempero
de Deus.
No espinho, no pedindo,
lavando os pés dos que
precisam do caminho divino.

Na Esquina de Brasília.

No Mercadinho em Brasília,
a simpatia era uma figura leve,
sua roupa cheirava a enxofre,
tinha a cara do Nordeste.
O bom diálogo,
tinha laços amargos.
No bagageiro levava
um sotaque do bem.
Amedrontado, meio
bicho do mato, batia
palmas em todas as casas.
Pedia com calma um caroço
de comida, mas o rancor do
NÃO, estava na beira 
do portão.
O peso do dia trazia
muitas mentiras!
E uma voz surgira
no mercadinho da esquina,
parando sua atenção.
Era o proprietário, elitista.
Discutia sobre política:
-E a eleição, Jão?
-O ladrão...
-Vou embora!
-E o dólar?!
Chovia, e o morto de fome
era sequestrado pelo cheiro
do salgado que vinha do
próprio mercado.
Lá, havia uma padaria.
E a caminhada se estacionava.
A fome no olhar era clara.
Na calçada, protegendo-se
da água, sorria com à alegria
das crianças que deslizavam
ladeira abaixo.
Os surfistas do bueiro eram
a diversão entre os receios.
"Mas o caroço no angu,"
torturava o que escutava...
A conversa do dono
do Mercado, que resolveu
expulsá-lo do frio abrigo, acolhido:
-Vá embora mendigo!
Incomodado, respondeu-o:
-Embora vai é o senhor,
para um país rico.
Escutou-o e retrucou:
-Você parece esclarecido?!
Têm pai, mãe...?
Respondeu:
-Sim!
Minha mãe ainda é viva,
uma linda nordestina.
O meu pai era Petista.
O dono do estabelecimento
fechou a cara com raiva.
Mas, continuou a indagar:
-E você, por curiosidade...?
Respondeu-lhe com orgulho e dignidade:
-Eu sou o Maranhão, o Piauí,
a Bahia...eu sou a lida.
Você sabia?
Essa tímida face sofrida,
têm as mãos que construíram
Brasília.
A história da sua vida!
- Por favor, retire-se da minha "vendinha."
-Com muito prazer, mas
não conto mentiras.
No Nordeste falamos na "lata".
A verdade dói, mas não mata.
Conheço-a no carinho do
meu melhor amigo chamado
cachorro. Verdadeiramente,
Bob.


A desesperança, aproxima-se do dia.
A cidade tem seu jeito meio louco.
Roubaram minha alma na esquina,
enquanto colocava a mão no bolso 
para caminhar com a tristeza.
Estamos completamente
perdidos. Muitos foram envenenados
pela cobiça. O cheiro do Enxofre
Cotidiano é periclitante.
A engrenagem cospe sangue.
E não se esconde, rasteja-se na 
profundeza do egoísmo.
Até Deus cansou...
Cansou de ouvir sua própria voz.
Ele fugiu para imensidão.
Era a única solução.
E não voltou para almoçar.
Ele foi descansar do caos.
Porém, o caos é livre.
Tem um semblante
que encara o trabalhador.
Uma cara feia, que humilha 
o entregador. Ele é a injustiça 
do dia. O que maltrata a maioria.
Os que estão na correria.
O pai de família, cansado pelo peso 
do fardo. Porém, honesto e educado.
O trabalho é o seu recado.
És um abençoado.
O que passa o dia, entre
mormaços de óleo queimado
e fumaça de carros.
A jornada afoga a correria,
trazendo pensamentos na família,
engolindo a comida
da sua marmita fria.
De sol a sol, cansado com
a truculência nas ruas,
que não perdoa os filhos do mundo.
Não quero olhar no olho do desrespeito.
Não quero encarar essa merda.
Aonde se cultiva a escrotidão.
Todo meu desapego!
Porque a sinceridade impregna,
ela é perigosa e incomoda.

Livre-se.
Na alameda do doce
alimento para o pensamento,
o aborto do tempo
me levou ao desperdício.
Com tamanho afinco,
viajei imaginando
a sombra, finar-se da morte.
No rebordo dos lábios mundano,
sempre apressado,
vesti-me a roupa das ruas,
pulando a tristeza da vida,
apaziguando a crueldade.
Cansado de pessoas
tateando a cobiça,
ameaçando a paz.
A covardia das igrejas,
aonde a bondade, encontra-se
no meio do inferno.
Somos tão doentes como
nossas vítimas,
devorando a carniça,
reacendendo as trombetas,
na existência do sofrimento.
Isso é uma verdadeira quimera!
Rostos vazios, corpos esmagados.
Carros soluçando no trânsito,
o céu em relâmpagos,
não me cura a solidão.
É como ver você
comer sua própria merda.
Parece esperar pela loucura,
pela morte, ou pelo médico
na fila do desespero, 
degolado à guilhotina do emprego.
Dias ao relento,
respirando o ar do cidadão,
andando pela confusão.
Você não vale nada morto,
é doloroso, mas quero ser livre. 


Grito no Vazio.
Estou ferozmente batendo
os pés contra o vazio das pessoas,
uma grande corja. Não respiro bem. 
Penso: o que vai te levar ao túmulo?
O sufoco do dia? Ou a façanha
da finitude?
O desespero está ocupado,
a verdade tem várias interpretações.
Topei com a leveza do abraço solidário,
a eternidade incerta, a fadiga acumulada. 
O purgatório, um porre convulsivo.
Estou agulhado. Somos acumulados,
uma enxurrada de imundície.
O progresso na rotatória, cheirando cola.
Estou distante, apesar de enfurecido
no seio indomável do planeta.
Dias de sol renovam gestos simples,
de um dia sem pressa, pela resistência, 
pela resiliência.
Meu menosprezo molda a sorte,
mesmo no denso frio do consolo.
Um drama. Vende-se espiritualidades. 
Comeremos o cadáver do absurdo,
que não pode ser comum.
Temos que ser incertos.
Eu me cobro. Prevaleço a gritar pelo 
buraco da bala no uniforme escolar,
parte do abate que me corroe
o estômago enquanto velo os sonhos.

Há sempre um muro no
caminho de um sonho.

Mundo Calado

Há dias que não ouço uma voz humana,
nem vejo um rosto do outro lado. 
Há dias em que não consigo ver o sol. 
Parece um ar doentio, 
mas me protejo na invisibilidade, 
rompendo a escuridão da manipulação. 
Nenhum mérito para o Cotidiano-
as vozes andam sumidas, 
nada atraente, 
apenas pedaços mortos.
Não escuto o esperado barulho da cidade. 
Lá estão todos os problemas, porta afora, 
o mafioso exorcismo de nós mesmos, 
aguçando o fundo do poço social, 
alimentador do pânico, babando. 
E tudo é dramático, é natural-
uma tragédia, um verniz do atraso, 
camuflado.
Fujo das asneiras moralistas, 
não tenho jardins verdejantes. 
Mas deixei para trás a necessidade 
de chamar atenção.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

*A CUCA e as Páginas*


BOM DIA.
Ah! Que dia lindo. 
Dia de euforia e alegria. 
Transbordo ternura 
no jardim da vida. 
Dia puro, corpo aberto, 
repouso em sonhos 
e a beleza que em ti vivo, 
embriagado de absinto. 
Morreria se todo dia 
não bebesse uma gota 
da essência dos Deuses. 
Hoje vivo em passos 
que ultrapasso 
toda lucidez 
de uma paixão 
pela a espécie 
Planeta!                

PRENÚNCIO.
O desembaraço do tempo,
tange o abraço da liberdade.
Fulgura a compaixão do sonho
que sacode a órbita da dignidade.
O beijo meigo e úmido da resistência, 
sobrevoa a solidão do cotidiano. 
A luta incansável que meu povo vive, 
trafega em mudanças a espera 
da simplória paz. O oceano de morte
não é superado, mas, a jornada do afeto, 
rodeia o respeito pelo próximo.

SENTIR.
Eu entristeço aonde a fome soluça e não se estanca a gula do abissal poder.
Eu adoeço com a faminta penúria do desamparo,
com o grito do abandonado que confessa a sorrateira e escrava proeza do mal.
Inunda e machuca o meu valor.
Mas, é possível o amor!
o bem necessário de dentro,
o severo presente tempo. 
De amar para sempre...

EPIFANIA.
Ó, repugnante epifania 
do submundo que vivo.
Camuflado de afagos 
defenestrados.
Vocifero como abjeto 
compelido, que belisco 
a inebria da precariedade.
Pêndulo da incauta ansiedade
ensandecida que emula uma 
enxurrada de intrigas. Enaltece 
a presepada do homem. Com 
um caloroso suborno que beija 
a minha face...

“FLORA OLÍMPICA.”
O plantio das Olimpíadas      
no descaso de mentiras, 
replantada na promessa,      
que marmota é essa?!              
A floresta dos atletas 
semeada de enganos, 
encenada no desprezo              
à abertura do enredo!               
O contrato foi assinado,            
a promessa não cumprida, 
esquecida e abandonada  
pelos ratos de Brasílias. 
Atlântica Ela seria,                
para o mundo uma filha,           
e o Homem sustentaria             
a dádiva da vida!                  
Mas, o Brasil da fome 
não queria, a descabida 
Olimpíadas!                

MAIS UNIÃO.
O mundo em imensidão,
continua de pé.
Sereno do tempo,
derrama em mim,
veredas no jardim.
O hálito sufocante das flores,
fragmenta as palavras,
emociona as lágrimas,
folhea as páginas
da bondade que propaga
o paladar do bem.
A "cuca" assobia a fuga,
onde o verbo faz a curva.
Na varanda, reluz as gotas
de chuva.
Cintilante, devora o meu
calmo coração.
A febre do futuro, ameaça...
É o meu assunto favorito!
Silencioso, pavoroso e incerto.
-Agonia de não saber de onde viemos.
O tempo é constrangedor,
entre a vida e a morte.
-A chuva continua a cair.
Belos sonhos prever
uma tempestade de fé.
Sinto que a esperança
é um rio subterrâneo,
humano, e que não para...
Temos que mergulhar
na libertação da gratidão
e se lambuzar de liberdade,
aproveitando a felicidade.
Concedendo o perdão,
desculpando a dor
e não guardando o rancor.
Sinta respeito pelo próximo.
Deseje viver num mundo
em paz, que haja sempre 
o caminho do equilíbrio, 
a plenitude do amor 
e a gentileza de um 
sorriso. Unidos somos 
a virtude da verdade.
Semelhantes irmãos!
Peço perdão, compaixão
e que ninguém solte
as mãos.

São Sebastião.
Abraço uma ideia e os
dedos começam a escrever.
Badalando um sentimento
que penetra no meu ser.
observando o cotidiano,
que decompõe-se diante
dos meus olhos.
O enredo bate na porta,
com a voz trêmula.
Fraco, mas não abalado.
Soluçando em falhas.
Mudo, mas sempre com
a mesma cara.
Pesadamente,
desmoronando árvores.
Ensopado pelas águas.
Abismado com a erosão
dos morros.
Com o coração debaixo
de lamas, entre mortos
e feridos.
O enredo pós medo,
pressentia o pior.
Um desastre natural
devastando aquela
população.
São Sebastião.
Ladeira abaixo!
O Estado sorridente,
estalando sirenes
de guerra.
E a piedade ficou por
conta da sorte.
Frisando a força de uma
raiz, o povo Brasileiro.
Sendo assim...
O enredo continuará
a contar histórias sobre
mortos e feridos.
Com a experiência da pior
tempestade que há de vir.
O enredo não sabe aonde
vai cair. Mas o terror
sempre vai existir.

ESPINHO. 
A diminuta gargalhada
da floresta, lampejou
à alegria do Sol.
O golpe dos raios
alcançaram as cores
a favor do vento,
trouxe-me a paz,
ancorada nas garras
do bem.
Minhas pupilas de fogo
lavaram o meu rosto com
a água fria do rio selvagem,
o mergulho à liberdade.
As palavras entoavam 
como densas nuvens de
poeira que se erguera
num sincero arrepio.
Plantou-me a importância
de viver como um solitário.
A minha amizade teve
semblantes dragados ao
passado. Saindo da Ilusão
imortal. Os cães famintos
pediram os cadáveres da
minha Imaginação.
A depressão amputava
as ruas. A minha cabeça
voava para não olhar
para a cara do trauma.
Raizes foram formadas,
sozinho fui ficando,
enterrado no sangue
recaído sobre o ombro
do destino inimigo.
A todo espinho que se
preze, há sempre uma rosa
que embeleze a luz do dia.



segunda-feira, 26 de outubro de 2020

AFLITO

É o pensamento de um bêbado, conversando só, num bar.

INTRODUÇÃO.

-Ei, cara...?!
-Eu tenho cientificamente 
a certeza que existe uma infecção 
generalizada na Humanidade.
Um distúrbio chamado degradação...

Perguntas me enche de silêncio, 
silêncio me enche de tristeza.
Por que na Terra de tanta riqueza, 
pessoas morrem de fome?!
Filhos da guerra, geração de doentes. 
Um enredo fictício de um futuro 
inexistente. Cheio de mazelas, 
pagando a culpa, num saco 
sem fundo que dorme o capitalismo.
Nascemos desse jeito, num jogo 
de manipulação, redundante do mal 
e o canibalismo de escolhas. 
Em tempos difíceis de tempestades 
e medo, oremos pelos os tolos. 

O Homem é seu desejo 
de frente para a morte inesperada. 
Gritos de ambição, prisão e sua 
destruição. As grades que cega 
os princípios que vagueiam todos 
os dias...
É o destino de páginas obscuras, 
que corta as entranhas de um ser 
ordinário e extraordinário.
Herança que atropela o coma 
do mundo sombrio 
preconceituoso.
Convivemos num refúgio 
sem liberdade.

A PESTE HUMANA.
Respeitável público sisudo, 
os pálidos dias tangíveis 
que ecoa o desespero 
e estende sonhos 
atormentados.
Adormece aberrações,
cheirando podridões
que deflora almas
pobres e maltratadas.
És o escarro de vida,
submissa existência,
cúmplices calados 
e omissos num sórdido
mal a devorar.
A lástima que cospe,
cheira a morte, e o peso
das lágrimas que está
em todos, arde em demasia. 
O povo está arrasado, 
insultado pelos poderosos. 

Está com as mãos sujas 
de sangue. 
E o sofrimento que deságua 
num nevoeiro de destruição.
É um monstro que se alimenta 
na esquina, cresce na faminta 
vida podre que o povo vive.
A solidão me acompanha
por ter medo de vocês!

POBRE SONHO.
Lágrimas no sofrer do dia.
Chuva que cai a noite
cuspida na cara da sociedade,
semeando ódio continuo a viver.
Para a sociedade
desprovida de conceito.
Infância perdida,
criança que cata latinha
propagada de consumo
do trabalho sujo.
Mais um rosto na escuridão
andando em vielas,
livre e preso em nossas mãos,
comendo o pão da miséria.
Quantos se calam
no território do mal?!
Feridas abertas
de dores e tragédias.
Real ilusão, televisão,
recitando conflitos,
onde nascem e morrem

tesouros vivos!
Abortados nas ruas,
humilhados, insultados, 
Sobreviventes das dúvidas.
O pobre de grana
que sonha a compra
da paz e do amor,
que a sapiência jurou
no pesadelo que acordou...

DENTRO DE TI.
Escravo de si mesmo,
a miséria dos horrores,
a febre irremediável.
Faz-se morrer o teu corpo
sufocado pelo ódio, 
ladeado de um teatro.
Onde, encontra-se 
existente o puro amor. 
O conhecimento entre 
sonhos e rios sem fim, 
da divina alma em mim.
Mundo sujo, podre e ácido.
A tirania da fome, 
a cretinice da política, 
substrato repugnante 
dessa social vida.
Um rebanho condenado,
suicída, que perde a si 
mesmo em dimensões 
de dores.


E quando florescer 
o perfume da simplicidade, 
transbordará gotas de paz 
entre os segredos do mundo. 
Grite ao mal que a escolha 
é sua. E adentre ao bem
para que seja seu, o poder 
que há em você. 
Existir ou destruir?!

O HOMEM.
Eu sou o homem da questão.
Do por quê?
Eu sou o homem que contradiz, 
tudo aquilo que você diz, 
e condiz. Eu sou o animal
na falsidade da criação.
Extinto e desolado, num
quadrado de interesses.
Caminho sozinho,
descalço com a humildade.
Sonhando em transparência,
nos pés da humanidade.
Infeliz, vendo minha saúde,
a preço de dinheiro.
Porque nessa idolatria,
só é "feliz" quem tem
o bolso cheio.
Ah, nesse mundo de valores,
o meu beijo é de amor!
Sinto a dor e o vazio de tudo!


Hoje, vi uma pessoa sorrindo.
Riqueza rara da vida.
O meu mundo grita
à espera da terra absolver
tudo o que há podre em mim...
É assim!

RUÍNAS.
As ruínas amargas 
de um perpétuo sofrimento.
É notável que esse sofrimento 
é consequência da tirania que 
injeta à vida, olhos famintos. 
O "amor" a favor do racismo 
e ódio, descarna a máscara 
ridícula do ser. 
Agonizo o vazio por dentro, 
transtornado e aflito. 
Sufocado pelo cotidiano. 
Como uma prisão crônica, 
na mente que está cada vez 
mais visível ao porão supérfluo 
da sensibilidade humana.
A arte liberta a esmagadora 
rotina capitalista!
O capitalismo compra. 
A arte recicla. 
O capitalismo droga. 
A arte viaja.

A SOMBRA.
Eu e a sombra.
Há lógica pra tudo
que estreita o infinito
com a dádiva sabedoria
dentre outros bichos.
O algo sem cura
para outras vidas.
Molestada de identidades
na carcaça apodrecida.
Eu e a sombra.
Contaminado pelo luxo,
o animal urbano
que fede a Humano.
Que me leva ao 
suicídio diário.
Questionando regras,
sufocado e estrangulado.
Respiro melhor,
liberto a mente.
E a sombra da vida diluída
que escolhi seguir é a 


mesma mergulhada 
num abismo sem-fim.
Sombra que ainda vivo
como um bicho maldito. 

SINCERO.
Comunicativo como um vinil 
arranhado. 
Estou disposto a me matar 
com sua primeira verdade. 
Interagindo com a sabedoria. 
Descendo uma escada
deficiente. 
A escada dos erros,
sendo o caminho do ódio. 
Quero sempre ser heroico 
em prol do bem. Uma gota 
de caos faz parte do bem. 
É como subir a montanha 
e morrer na exaustão 
do conquistado. 
Porque o chicote que estala 
na costas dessa raça, 
desfavorece todo um ideal 
de igualdade.

BRASIL.
Brasil carcomido,
vivendo de joelhos,
jogado aos ratos,
pervertido e subdesenvolvido.
A escória surgente,
prostrada na carcaça doente,
corrupta, a culpa!
Brasil sem "cura".
Porque no gatilho do fuzil
é que se governa o Brasil!
Sofre o povo,
pobre é o garoto!
E a bala "perdida"
é achada no peito da família.
Brasileiros que choram 
o governo que mata 
como eutanásia!
Brasil subordinado,
decadente e indigente.
Sucumbindo a podridão
que satisfaz a cólera 


do retrocesso.
Brasil político
que corre o risco
de cair em enrascadas 
com riquezas desviadas.
No poder a legislação,
na lei a proteção que 
garante a impunidade.
Mas, para crescer de verdade
nesse país de humilhação,
só buscando a educação!

POLÍTICA BRASILEIRA.
O útero calamitoso
do hipotético delírio
que provém a macabra
crueldade do seu próprio
terrorismo. 
A trapaça é sua virtude. 
A prostituição foi consagrada. 
E há omissão envaidecida 
na proeza dos que acreditam.
Nação de alusão,
com honrarias e mentiras.
Maníacos governantes
engajados em sangrar o país.
Uma escambau desfaçatez,
segue a imutável pilantragem
dessa corja de malditos 
ensandecidos pela súplica
do povo. 
Povo órfão e subversivo, 
de uma surreal hipnose 
emblemática que causa 


manipulação de massas.
Fabricando seres postiços
na nefasta política brasileira
que barganha cada um de nós.
Estraga o filho da pátria,
que é amada, que é amarga!
A história do Brasil,
mumificada por mais 
de quinhentos maltrapilhos
anos de saques e abates.
Minha terra tem política
que destrói toda simpatia 
desse povo que agoniza,
sem igualdade, sem liberdade.
Escravo gentil, esse é o meu Brasil!      

BOLSOMINIONS.
Uma cabeça rasa
é um universo sombrio
que alimenta o medo
corrosivo de uma
pobre arrogância.
Âmago solene
de laços mentirosos
e consciência cínica
da seleção de idiotas.
Desígnio da covardia
de fracassados ofendidos.
O ar respirado é ácido,
hediondo de angústias.
Excreção imoral!
Nunca serei simpático
ao encontrar um "Minio"
no meu sensato caminho!

MILÍCIA.
O que escorre no incauto 
de todo esse martírio?
São cadáveres e tempestades 
de sangue, mais um ferido!
Arrebatado e aniquilado na 
palafita. A sua bagagem 
afetiva? Camisa de força 
aos livres. Hoje foi um dia 
violento. Vou moer e expor 
para os famintos da imprensa 
o submundo do crime.
A margem do rio alagado 
de sangue, algemas severas.
Dê seu corpo á elas para ser 
devorado pela mão fria das 
feras. Um tiro de misericórdia 
silencia o relógio que
estrangula mais um sonho.
De joelhos a vida pede 
clemência. E a morte destrói 
mais uma família pela 
carnificina da polícia!

VIVA MARIELLE.
O Estado é a milícia 
do dia a dia.
Agora, com um cargo
na política. Cresce 
a raiz bandida.
Milícia e política. 
De pequena decadência 
a insegurança manda 
na nação. E a maior 
facção, atira e mata 
quem grita pelo povo. 
Tenho nojo de demagogo.
E os que estão soltos
é a prova da impunidade.
Que deixa o sangue 
violento e silencioso
escoar pela mão da morte.
Sorria quem tem sorte.
Porque já dizia o poeta:
"os bons morrem jovens".

IRMÃOS.
Legítimo é o povo que grita 
seus sofrimentos. Pelo valor 
de uma ideia e o absoluto
objetivo de ser livre.
Uma dose de acidez tem 
o drama da desigualdade.
Prejudicado, quer seus direitos 
reconhecidos perante ao 
Estado. Ergue esse grito que 
ensurdece, rumo ao descanso. 
Quer a mesma natureza, 
humana. Afeto de irmão para 
irmão. Amor ao próximo, 
conviver e agradecer. 
Não submete-se ao engano 
autoritário. Quer laços para 
o equilíbrio humanitário.
A honra desse povo me 
orgulha, com a hegemonia 
que vocifera e estraçalha 
qualquer Sistema. 


Protagonista de grandes 
conquistas. Tem linguagem 
do oprimido.
Moderno, reúne em si uma 
narrativa sofrida.
O povo, de novo, grita, grita 
e grita:
- Não quero ser diferente.
Sei que esse sistema é
delinquente!
A desgraça está grávida.
E nascerá mais um irmão 
nessa podridão!
Amar é tão distante.
Mas existe uma ponte erguida
para o outro lado divino 
da vida.

ARMA NÃO.
Se o futuro é ter arma
o "diálogo" vai ser na bala. 
Cidadão contra cidadão 
numa discussão 
vai sobrar para o"João".
Arma na fila do SUS,
tiroteio na escola pública,
e no lazer do irmão,
vai morrer pela própria mão.
Espero que a arma
valha para matar político 
ladrão.
Por que eu...?!
Eu quero carregar a arma 
de salvar. 
Eu quero a inteligência 
de educar. 
Eu quero é matar a fome 
desse povo ignorante
que não sabe votar!

O DINHEIRO É UMA DOENÇA.
A vida na Terra está em guerra, 
infortúnio combate, ataque de 
loucuras, acúmulo de
indignação. Esgotada pelo 
câncer da ignorância, vive a 
ingratidão, o choro da derrota, 
terror, mais uma pessoa 
morta. 
Eis o cão do mundo, a força 
do desconhecido, a criação 
do natural ou do mal...
Gestante do incontrolável, 
severa maldição que arrebata 
cadáveres. Notícia lucrativa 
que corteja em lágrimas a 
doença maldita. E quem não 
acredita, desdenha. Mas, o 
número de mortes só aumenta. 
Esse é o fundo do poço, a 
multidão que semeia mais um 
morto, catequizado pela 


economia que sempre matou 
de fome a vida. De volta às 
ruas, ainda sem cura. Tudo 
pelo venerável dinheiro.
Todo o meu desprezo pelo ser 
que não aprendeu a viver! 
Não me venha com idolatria. 
O planeta sempre foi
anarquista. E a janela do 
mundo lúcido sem esperança 
é o engano de sombras nítidas 
do maldito capitalismo!

A FALÊNCIA DAS ALMAS.
A existência é uma célula, 
a gota d’água dos segredos, 
que revela o enigma dos saberes, 
o Universo e os seres. 
Sou aquela luz que precede 
no brutal urbano. 
Sou a prece do instinto, 
o veneno que esporra prazer.                                       
Ressuscito as nações,
reencarno o desnudo céu       
e a glória do sol. 
O meu caos é intolerável            
para a humanidade.
A fé tem que ser raciocinada. 
A fé cega é uma ignorância!      
E a pobreza espiritual 
é exacerbada do egoísmo.        
O mínimo da existência              
está dentro de si mesmo.


Julgamentos são constantes 
na vida. Mas, a liberdade 
é a face do interior. 
Nesse Planeta o erro 
é permitido, desejo diferentes 
caminhos para que possamos 
se encontrar num futuro
destino!                                                                      

CADA UM É ÚNICO.
O melhor ou o pior?!
Julga quem conjuga 
o paladar obsoleto 
de resíduos de ideias.
Odeio o aplauso falso,
degradado e mágico.       
Ácido, que dissolve         
minha carne.             
Intrigante, sou provocador!
Imune a uma “beleza” 
de moda preconceituosa. 
Privilégio é viver 
a diversidade do exagero.
Sou a dúvida do padrão 
que te impõe.                    
Estou na busca da 
insanidade que me 
cabe e não lhe serve. 
Relativo é a dor  
do universo que sou.           


Sou o que não sou!            
Mas, respeito o próximo      
de ideias controversas.
Nosso lar é respeitar              
o inacreditável giro               
do mundo. Que não 
é um absurdo.
Cada um é único 
para quem acredita 
na sua própria vida!     

FAKE NA RUA.                         
Eu vi a “revolução” virtual      
de cabeça baixa nas ruas. 
“Amigos” adestrados, 
escrevendo para a mídia            
o que vemos e não temos.  
Não quero externar coerência, 
porque minha caretice                
está num cinzeiro                        
de um puteiro.                           
O meu olhar é para o futuro,      
pois, esses pés duros e sujos  
só me trazem desconforto!   
A vida é refletida a cada dia... 
E se você é contra algo,
poupe-se da ignorância.
Respeito é o mais esperto     
de todos!                                    
O ideal é a ideia,               
seguir a diferença                
e não a unanimidade.            
Os erros das pessoas          
são sabedorias às outras!  
                                                     
CELULAR.
Já era a rotina                            
em papel reciclável,      
vendido em banca 
de revista, comentado 
pela boemia cínica 
à política nas praças 
da vida. Já era a rotina          
do cheiro palpável,  
visualizado ao ouvido            
de um fã consumido            
pela raridade do disco.           
Já era rotina                          
das páginas imaginárias       
ao toque de saliva                   
na beira da cama                    
de noturnas miopias.              
Já era a rotina                       
que resiste ao tempo,      
tempo que se tem tudo,      
mas de nada vale 
o retrocesso da geração 


superficial, com a clausura 
digital. Já era a consistência, 
já é a consequência             
que o Homem inventa. 

DECISÃO.
Há um mal na alma     
estranho e divertido,             
que aflige o Homem               
ao grande abismo.                 
Há gentes infelizes,  
medíocres e conformistas.
Tragadas pela overdose 
social que cospem na vida.  
Há uma cegueira florida 
terrível no caminho, 
infame e estúpida, 
afogando meu grito.
Há uma arma destrutiva
pousando devagar sobre 
tempestades melancólicas
que semeia à peste do século.
Não há nada mais simples 
que ter o Universo ao colo.
Como um filho agradecido
que beija o destino.                  
É o álibi da vida.
É o arbítrio e a sabedoria.  

SEMENTE.
Eu observo a vida                
uma infinda mutação.         
Que descobre o anzol               
e modifica o mundo.    
Crianças rumo à história  
como a calma água               
que busca caminhos       
pouco a pouco                     
num mundo novo.
Deleita o canto                            
da música perfeita,         
parece cantar sem fim              
o hino da natureza.
Raiz heróica que nasce 
em rios, escolhe o alimento.    
O pássaro que beija o ar          
e voa para a existência.
Eu observo a vida                        
voar para o inexplicável,            
uma correria entre                  
tudo e o mundo. 

A MORTE.

Dissestes a Morte
a beira dos olhares:

-sussurro no apavorante 
leito de sonhos.
O assombroso momento 
da viral existência que povoa 
a amargura desse Planeta. 
Muros despedaçados de 
solidão, o Cotidiano abatido. 
Seres amordaçados 
com a dor desleal dos 
acontecidos. 
Lágrimas que desabam 
da não compreendida 
e perversa ineficiência
Humana.
Os expoentes de estupidez,
lhes fazem perceber a 
distância dentre Eu e a vida.


O espaço do mal ficará,
o Seu, o Eu, os Vossos
condenados morrerás.
-Sou breve nas mídias,
esfarelando famílias,
vim como doença maligna!
E se o Amor não reinar
como alimento do bem,
seja Ele a esperança,
o desfrute viver,
abundância de Deus,
livremente aproveitado 
por você.
Um tratado para alma,
pois não há de negar
que Ele está dentro do Ser.
Verás mais dores, e a paz
cada vez mais distante da 
realidade de amar uns aos 
outros!

Quem sou eu, nessa jogada?

-A Morte já cansada
de tantas despedidas
pelo jogo da vida!

A MÁCULA.
O gosto do deserto
atravessa minha garganta.
Ecos que traduz a voz
do monstro, e a revolta
que me traz à vingança.
A angústia estrangula
meus raivosos delírios.
O pesadelo sorrir
para a dor, discretamente.
Abraçando o ódio
com a realidade crua,
da sandice tragédia
que assusta o mundo.
Os negacionistas
tripudiam das vítimas.
Morre a sensibilidade!
O caráter incoerente,
apodrece a alma
com aquilo que se defende.
A faxina desumana
atravessa minha garganta.


Hospeda-se a vigarice!
O fantoche dissemina,
mentiras e baixarias.
Devoto da grana,
ajoelha-se aos pés
de Faia e Marcedo.
Os piores ladrões
do povo brasileiro.
Negocia-se a vida.
A carne do meu povo
é moída.
E a violência é gratuita,
contra a esperança.
O deserto atravessa
a minha garganta,
engasgando os meus 
sentimentos.
O gatilho da tristeza
com o choro da pobreza
que constrange
os meus sonhos.
A mácula dos crápulas


que surge do esgoto.
Corteja o arrasto
de mortes no atacado.
Há os quê não acreditam
na verdade.
Agora o deserto é escabroso,
assustador e perigoso.
Ele é meu...
Meu deserto, no peito
de cada brasileiro
omisso.
Vazio, vazio, vazio...
Meu deserto alagado
do pranto imperdoável.
Ele não será esquecido
no jardim da saudade
dos nossos familiares
e amigos.
Vocês irão pagar,
assassinos.
Todos assassinos.

SIMPLICIDADE.
O silêncio é meu jardim    
estendido pelo pensamento.    
Talvez a cidade que ecoa          
o grito do poder com 
sensação profundamente “rica”... 
Ao longe, bem distante,              
estava eu, adorável e mendigo,  
com a vontade de flutuar 
no espaço para ver o sistema 
explodir a inacessível 
cabeça do Homem.                
Sobreviver é complicado! 

ESPERANÇA.
Canta a esperança,
porque tudo se rompe
na serenidade.
É como mergulhar
nas águas das possibilidades.
A leveza da alma abraça a
vida algemada e coagida. 
Ansiamos expectativas.
Trilhando num oceano que 
escoa a desrazão de 
pensamentos tolos
e sentimentos vazios.
Calamidade retumba em
meus ouvidos.
O cadáver é lavado,
e a atrocidade é atraente.
Pessoas são enterradas 
pela imoralidade nacional, 
infelizmente!
O inesperado perigo
da morte, agora atormenta


o suicida irremediável.
E porventura, a voz do amor
se mistura a multidão?!
Dizendo:
-Não semeie a discórdia,
e quando vires a paz,
abrace-a, e nunca mais
a solte. Por favor, ela é a
cura do pavor que restou...
Coincidentemente, o bem 
sufoca a Ira das mentiras.
E quando tudo passar,
iremos abraçar a vida,
todos os dias!

“SOFRIMENTO."                
Declame o futuro                      
e estará no presente                    
de muita gente.                            
Meu passado                             
é um teatro ameaçado,              
vazio e sem aplauso.                  
Perdura a amargura                  
da humanidade.                        
A flor leve dos sentimentos,      
e a navalha que fere                    
os pensamentos.            
Perdura o peso do mundo,          
a amplitude do socorro            
que repulsa a desigualdade.
Não se iluda com as pessoas.  
Elas foram feitas para viver.
Agradeça pelo dia,                      
a força do bem,                          
que atrai às coisas boas.
O maior nível do estrelismo      
é aquele que não sai                  


do seu próprio saco de lixo.      
O mundo com mentiras            
é um prato cheio                        
para gula dos seres humanos.
Alimento um monstro                
que me engole...                          
Descobriram água em Marte.    
Mas, a fome na Terra            
não desiste da humanidade.  

VENDA.     
A vida é uma degustação      
do proveitoso saber. 
Humildes experiências          
de um incrível crescer.
Bons exemplos                     
que assalta o fôlego     
de um vinho tinto, 
paladar envelhecido.
Percebo que a vida                  
é toda de poesia.                     
E vejo um inexplicável
quadro, abstrato,                  
que há todo sentido               
no mundo que vivo...             
Eu acredito!
Mas, como tem tristezas!        
É inacreditável saber            
que a fome mata no mundo,  
e é somente causada pelo 
Homem...
Que absurdo!


É fácil de ver                   
teorias mal sucedidas            
de hilárias descobertas, 
atrativas...
Muitas mentiras!
Por que uma razão?     
Porém, sou emoção.           
Vivo irreverentemente,             
e prefiro ser mal-entendido.
Um punk desordeiro,            
não adequado aos vínculos 
sociais...
Sou mais!                          
Nessa superfície burocrática
não tenho medo de desordem.
E o honesto dia a dia,           
vira a escrota vida                  
de muitos heróis de família, 
que clamam por melhorias.
Minha espécie é vendida,    
num cego sistema capitalista!

SENDO.                         
Vítima das circunstâncias      
tão mesquinhas                          
como tiragens de jornais.
Viveu o que bastou,                  
interrompeu ruas com flores.  
Era tudo muito infantil 
há minutos atrás.
Saiu do ostracismo,              
não foi adestrado,                      
beijou a “boca” do meio-fio,      
promoveu fanatismo              
no calor do momento.
A loucura orientou-o,               
já era tempo. 
Não foi pirateado,                    
não foi popular.                          
O grande atrativo                        
foi a criatividade! 

A interpretação é o desastre 
da sinceridade.
Autor: Denis Soares.

●Sobra do projeto: Aflito.

Eu prefiro andar com a 
inocência ao meu lado,
do que andar com a 
inteligência da má intenção.
Porque as grandes 
importâncias na vida são 
feitas com dedicação. 
É um plural incondicional 
para uma vida significante. 
E hoje a postura do ser é 
domesticada por opinião 
alheia. O humano é a natureza 
divina da real consciência de 
ignorância que desperta 
dentro do seu próprio ego. 
Uma frustação que o futuro 
dá aos que querem. Admito 
ser da imunda espécie. 
Somos vermes do mundo 
que criamos!
Crescer é entender o passado
para não vive-lo no presente,
mas, evoluir no futuro.
É o aprendizado de tudo.
Eu me acalmo vivendo da 
humildade e praticando a paz!

Eu tenho pavor de gente, 
socializar para mim é uma 
esquizofrenia, um pânico, 
bicho grilo. 
Minha timidez é um apelo 
perante os animais, e minha 
melhor comunicação é a 
oração. O caminho para 
começar o dia, limpar a alma 
para enfrentar meus monstros 
de frente. Monstro gente, 
indignado inferno que vivo, 
cavando o interior de mim 
para achar a liberdade, 
meu drama natural. A morte 
me consola!

No meu mundo a incapacidade 
faz capaz. A arte não tem 
receita. A competição é a 
guerra dos egos. A 
solidariedade é a educação da 
paz. A verdade é o templo que 
há em todos os seres 
humanos. O berço da 
sapiência é discordar da 
"certeza" enaltecida. Opiniões 
podem serem mudadas. 
A vida é uma droga. E dela só 
reclamamos da qualidade e do 
preço. O julgamento faz parte 
da vida. E a liberdade é a face 
do interior.
O ser Humano é a lorota com 
uma bomba nas mãos.
Somos os verdadeiros heróis 
anônimos do cego cotidiano.


MEDITAR.
Eu sou humano na vida!
Aprender sempre é bom.
Com a dor é provável.
Mas, a ignorância das 
pessoas me deixa mais 
calmo. Não sou mais 
reagente. Devido as 
perceptíveis tramoias 
dos seres. 
Desertor, embriago-me
de amor à rotina que vivo.
Minha inflada humildade,
fruto do tempo,
sorrir para solidão.
Entender é ver sem limites.

ARBÍTRIO.
Seus pensamentos são livres 
e vastos, fazendo-as ficarem 
ridículas no coletivo.
Uma epopeia de erros, fruto 
das sombras e dúvidas de 
tudo que alimenta suas almas. 
Um caos tolerável 
para humanidade e improvável 
para devidas expectativas 
do universo. Reflexo no 
espelho do mundo desse 
labirinto inexplicável de 
conhecimentos.

HÁ POUCO TEMPO

(...)Sinto a estupidez do povo. Reclamando como um maldito. Almas e olhos que refletem a injustiça. Injustamente calados. Não devemos ao tempo terrestre. Porque voar é o que importa, estamos acomodados com nossa própria ignorância, será se o tempo continuará, não há vantagem, auto piedade, ou nunca tivera, o voo do tempo.
Iremos mudar o mundo!

 








CARETA DE VIDRO
Teorias repetidas
são mentiras ditas,
a felicidade não está 
em livros e vocês sabem
 muito bem disso.
Tirem suas armaduras
 de vidro que a guerra
 é de equilíbrio!
As suas babaquices
não causam mais
efeitos nesse momento.
A inteligência é um
prato farto que tem 
sabores intocáveis;
A loucura de viver
nunca tem careta
para a vida de um
ser!

*******
Nasci da realidade
e o foco não é importante,
importante é a sensação!
Sou clandestino
e não tenho receita
para indiferenças.
O ar colorido
de um bobo que sou
visto pela sorte...
Assobio aos ventos
lendo mentes,
olhando para frente
entre a Terra e os humanos.
Sabedoria é terapia
e a saúde da vida!
Entendo o silêncio
amarrado na casca
da dor que vomita
o contundente repúdio
que sangra o coração.
Acabei no hospício...



(...)Perdura a amargura da humanidade. 
A flor leve dos sentimentos 
e a navalha que fere os pensamentos.
Perdura o peso do mundo,
a amplitude do socorro
que repulsa a desigualdade(...)
*Denis Soares*


(Denis Soares)




(Denis Soares).

O grito do Ipiranga foi dado.
E o Presidente confessa que é cúmplice de um assassinato.
Enquanto Amarildo é desaparecido pela polícia, pela justiça.
Queiróz é desaparecido pela injustiça, pela imperícia.
Brasil, terra que oprime os fracos.
É caso, é fato!

A história tem que ser escrita,
não pode ser esquecida.