segunda-feira, 24 de outubro de 2022

CONTOS É REVIVER.

Na manhã seguinte, Bil pesquisou sobre medicina na biblioteca pública do centro da cidade. O local, pouco conhecido por sua vastidão e diversidade de conhecimentos, abrigava até mesmo um porão com livros desordenados e empoeirados. Foi nesse ambiente que Bil se envolveu em um encontro íntimo com uma prostituta no banheiro.
Em frente ao imponente monumento, uma escadaria atraía diferentes grupos, proporcionando uma visão deslumbrante de uma praça encantadora. No entanto, Bil não se importava com a cultura local; seu interesse residia nos recantos silenciosos da biblioteca, onde os livros menos explorados o cativavam.
A frequência matinal de Bil era tão notável que a funcionária já o reconhecia. Ele se dedicava a estudar Anatomia Humana, abrindo páginas de enormes livros com imagens impactantes. Enquanto isso, nas ruas ao redor da praça central, Bil obtinha dinheiro de forma despreocupada, destinando-o a drogas e álcool.

                                  02

O lodaçal vivido por Bil só começou no centro daquela linda cidade tropical. Após dias e dias de barulhentas frequências e batuques musicais na escadaria da biblioteca, jovens loucos por diversões e outras coisas a mais, reuniam-se por amizades fugazes; muitos colegiados apareciam e sumiam em forma de rotatividade. Embriagado de liberdade e bebidas alcoólicas baratas, Bil tramava com os demais a busca da fumaça proibida. Um dos malditos era escolhido para ir na biqueira. Não poderia haver falhas, e sempre rolava fumaça.
O fluxo do centro não parava. Trabalhadores iam e vinham rotineiramente. Quem se encontrava para bater um bom papo eram cabeças pensantes no meio daquele lugar. O violão não parava, e a rapaziada afoita incomodava ao redor da biblioteca, convenhamos que não era nada conveniente para um ambiente de silêncio. E, naturalmente, todos foram expulsos pelo arrogante e ameaçador diretor.
Banidos daquele ponto de encontro, foram se reunir no canto da praça. Daí nasceu um movimento. Malucos fanáticos por rock dividiam alegremente seus conhecimentos e divulgavam panfletos artesanais, uma cena regada literalmente a sexo, drogas e rock 'n' roll. E Bil, exacerbado, saciava-se daquilo tudo.

                                  03

VERA.
A meretriz Vera se arrumava para encontrar o seu precioso Bil. Mulher da vida, linda, com um corpo que chamava a atenção dos homens em toda esquina. Negra de estatura alta e lábios carnudos, ela exibia-se por saber da sua própria beleza. Delicada e raivosa, Vera vivia no encalço de Bil. Em poucos minutos, o telefone tocou na casa de Bil.

"Olá, meu garoto", disse Vera.

"Oi, minha preferida."

"Vamos dar uma volta hoje?" perguntou ela. "Estou querendo ver o Precioso."

"Sim, encontro você à porta da biblioteca pública."

"Beleza, rapazinho!"

Bil, com sua juventude a todo vapor, correu para o banho no chuveiro. Após se produzir com roupas limpas, desodorante e água de cheiro, plantou-se à porta da biblioteca. Não demorou para Vera chegar, com aquele ar de mulher sensual, ao desfilar com o toc, toc de seu calçado de salto alto, sempre sorridente ao mascar um chiclete.

"Olá, meu Bil."

"Hoje o prazer é por conta da casa", disse ela.

"Vamos aonde?"

"Hotel?"

"Não, hoje vou te levar a um lugar misterioso, um lugar escondido e excitante", disse Bil. "Quero procurar livros obscuros nesta biblioteca."

"Onde?"

"Me acompanha, por favor."

Eles adentraram o estabelecimento e dirigiram-se ao porão. Em seguida, Bil se debruçou para procurar livros de magia. Cansado de não encontrar nada, suava pelo rosto e olhava para a beleza de Vera. Ela se distraía olhando aquele lugar maluco, abismada por não haver saída de ar, ficara assustada! Em seguida, Vera tirou a sua própria roupa, e Bil retrucou:

"Aqui não, sua maluca. Vamos para o banheiro."

Saíram às pressas pelo corredor aos beijos. O ato sexual no banheiro durou até o jorro do prazer acontecer e ambos gritarem por mais. Ao saírem do estabelecimento com aqueles olhares de desconfiança e os sorrisos cínicos um para o outro, deixaram uma pulga atrás da orelha dos funcionários na portaria. Bil perguntou:

"O que será que eles estão pensando de nós dois?"

"Eu adoro o perigo," disse ela.

Naquele dia, Vera e Bil gargalharam sem parar pelas ruas da cidade ao lembrar do escaldante banheiro. Depois, se afogaram em bebidas alcoólicas pelos bares localizados na histórica ilha.

"A história de Bil certamente envolve muita emoção e aventura. Parece que ele tem uma relação cheia de surpresas e paixão. A vida dele parece ser uma mistura de perigo e prazer, explorando lugares inesperados e desafiando convenções sociais."

                                 04

PORCOS FARDADOS.
A galera se reunia no canto da praça pública todos os dias da semana, mas o sagrado dia era a sexta-feira. Quem matava aulas não se escondia; vestir os coloridos e ridículos fardamentos colegiais os identificava. Bil era do curso da saúde, por isso, sua obsessão por livros de necropsia em pesquisas. A rapaziada sentava naquele chão de pedras, formando uma roda de pessoas, com um violão de praxe nas mãos e uma garrafa de cachaça no meio do pessoal; entre goladas de boca a boca, não demorava muito para a bebida acabar. O vai e vem do cigarro ia até a guimba queimar os dedos do último viciado. Joe, amigo de Bil, pedia dinheiro para quem passava ou chegava no lugar.

"Vamos juntar uma grana," dizia Joe para os outros.

Alguns colaboradores supriam as bebidas que eram compradas por um garoto de pouca idade em cima de um skate. Ele descia a ladeira, felizmente, pelo asfalto e obstáculos do Centro da cidade, pois lá no comércio do Sr. Zé, a água ardente tinha preços mais baratos. A música não parava, ao som da viola e de quem ousasse tocar aquelas cordas sonoras.

A presença constante da patrulha na praça descontentava os revoltados. Na sexta-feira, os policiais eram bastante ostensivos, pois o local se transformava em uma festa estranha com diversas tribos. E quem argumentasse algum abuso de poder na revista de rotina era diretamente agredido pelos homens de botas e fardas azuis.

Abaixo da praça, no estacionamento, flanelinhas furtavam carros com um método que só eles sabiam utilizar, barbantes nas mãos e uma técnica de abrir as portas dos veículos que só MacGyver saberia explicar. Mas na turma em cima da praça não havia dedo duro; a vista grossa dizia que ninguém tinha a ver com aquilo. Nas ruas, X9 é sinônimo de morte. Os bêbados amadores vomitavam suas bile no meio-fio da sarjeta. A erva proibida era sempre consumida escondida pela malucada que adentrava em um buraco feito na parede de um casarão abandonado na rua 38. Lá não havia saída, e a aglomeração de viciados constantemente amedrontava Bil; fumar naquele ambiente sujo de merda e lixo era pavoroso. Quando Joe gritou:

"Sujou, são os porcos de fardas!"

O pulo salvaria os mais espertos. Todos fugiam como ratos saindo do esgoto. E quem ficasse encurralado sofreria as consequências de borrachadas e botinadas dos porcos de fardas.

                                   05

A MANSÃO ABANDONADA. 
Na Mansão Drake, existia uma família verdadeira e pura: pai, mãe e um casal de pequenos filhos. O sítio isolado, com uma ampla dimensão à volta da floresta, justificava uma infância livre, calma e divertida para as crianças. O cão Beethoven, atento a tudo, despreocupava os pais pelo seu instinto protetor. Certo dia, a tragédia aconteceu! O mascote latiu de forma diferente, alertando para a área de lazer da casa. O pai Drake correu e viu sua filha Clara submersa na água da profunda piscina. Gritou desesperadamente ao constatar que ela já estava sem sinais vitais. O óbito da pequena foi confirmado pelo socorro médico que chegou horas depois. Essa maldita mansão foi abandonada durante anos devido ao afogamento, deixando a família Drake em depressão e desgosto pela casa. Após anos, um caseiro com sua humilde família passou a viver no local. Nas proximidades, havia um conjunto habitacional onde moravam garotos sonhadores e loucos por rock. Bil e a galera tiveram a genial ideia de fazer um show de bandas alternativas, com tochas de fogo na entrada do sítio e bilheteria gratuita para todos. O difícil foi convencer o caseiro Ribamar a intermediar uma autorização para a liberação da mansão Drake. Ao conversar com o responsável e confirmar a festa que movimentou a cidade inteira, uma explosiva divulgação por radiodifusão e televisão sucumbiu às mídias. Bil sorria com a hilária "inocência" do caseiro, que sem saber o que iria acontecer naquela noite fúnebre, propôs a venda de laranjas, uma ingênua ideia junina que passara por sua cabeça. Bil e sua rapaziada concordaram com o velhinho num instante de delírio dependente de bebidas. O Sr. Ribamar tremia só de pensar na pinga que iria bebericar à noite. O show começou pegando fogo, uma multidão de pessoas saiu de todos os lugares periféricos da ilha encantada. A divulgação sobre a "rocada" foi longe demais. Dentro da mansão, uma imensa escuridão; na área atrás da casa, a cisterna da piscina servia como palco das apresentações. Na piscina, havia uma imunda água, exalando o líquido apodrecido nos quadrados de azulejos, desde o afogamento da pequena Clara. Ratos, cobras, insetos, moluscos contagiosos, lodos, lixos e todos os tipos de porcarias traziam à água um visual peculiar para a festa underground. Todos os roqueiros, loucos e fanáticos ficaram deslumbrados pela mansão. O Metal começou a pulsar com os instrumentos raivosos das bandas de cada estilo. A roda de dança girava como um triturador humano, e nessa empolgação da moçada, chutaram a bunda de Flavinho, que desequilibrado, acabou caindo na piscina e, incapaz de sair da situação, ficou um bom tempo na água sinistra. Ele foi puxado pelos braços, quase afogado. Foi salvo! Flavinho teve diarreia, seborreia, quatro tipos de verrugas, frieira entre os dedos e impingem pelo corpo inteiro. Hoje, ele está vivo, curado e consciente daquela terrível noite de rock'n'roll, na madrugada em que não deveria ter saído de casa. O Sr. Ribamar bebeu a noite toda com as impiedosas garotas Darks, no obscuro cenário sexual de sua própria imaginação. E Bil, sumiu! Após o histórico show, a Mansão Drake foi demolida pela prefeitura, alegando que havia uma maldição no lugar.



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*Setembro, nas férias 
em São Luís.
Exatamente, na feirinha da 
Praia Grande. Uma pobre, 
atendente de um dos bares 
localizado nas Tulhas. 
Por vias de contradições, 
entramos em uma severa 
discussão politiqueira.
A mesma se descabelava
quando eu chamava o Bozo 
de assassino, talvez pelo grau 
de desinformação, ela jamais 
saberia o que erá um genocida. 
Uma senhora visivelmente 
com problemas
mórbidos(sengundo-a sem 
vacinar). Agredia-me 
verbalmente, como se eu fosse 
um desinformado. Porém, 
tentei inutilmente, fazê-la
entender a desgraça que esse 
presidente fez contra 
a ciência, que acarretou um 
caos na Saúde Nacional. 
E que eu estava vendo, 
vivendo e lutando corpo 
a corpo com a desgraça 
mundial. 
Tentei explicar para mesma 
que eu era um sobrevivente 
de tudo aquilo...
Cheguei até a lhe perguntar 
se tinha visitado um leito 
hospitalar?
A mesma me respondeu:
-você que é da saúde, deveria 
ter morrido também.
O ódio dos Bolsonarentos 
é a máscara absurdamente 
diária que se vê na sociedade  
há décadas.
Não negue a ciência por 
opiniões de quem não sabe
abrir uma lata de azeitona.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Bordões

Dia 20 de Maio
lanço minhas ideias
entre becos e vielas,
no abraço embriagado
do calor de São Luís...
Ler Livros.
Além da criatividade de ideias.
A maneira intensa de
linguagens. A forma artística,
bonita de se ver. De se ler.
Transmitindo mensagens
profundas e permitindo
emocionantes delírios.
Esses são os livros.
Uma forma de questionar
a realidade pelo conhecimento.
Trazendo reflexões para
muitos e consolos à outros.
Esses são os livros.
O impulso do pensar,
surgindo imprevisível,
repetindo o que rapidamente
desaparecerá na imaginação.
Por isso, que se escreve.
É como meditar, às vezes é como conversar com uma voz
imaginária que reescreve a infância.
Traduzindo palavras para
entender um poema.
O poder de sentir o rascunho,
o esqueleto da estrutura literária.
O sabor das lendas, da época para época e suas culturas
poéticas. Às vezes, não
entendo nada. Às vezes me
corta como faca. E triste,
choro de emoção.
Ler livros é o caminho, mas
cada um tem o seu...
Calçar a leitura diária entre páginas de noites alérgicas
ao papel Moleskine. Porém, cada vez mais raro, os fardos
literários.
Mas continuará no meu colo, 
molhando os meus olhos, 
ao saber que muitos não têm 
o que ler, ou não lhes deram 
o direito de aprender...
Maravilha.
Os mares e oceanos cobrem
o planeta. As águas são
sustentáveis e densas de
nutrientes. A vida marinha
ainda é desconhecida. E o
céu que brilha os cacos
serenos da lua, ilumina a
suave dança da luz eterna.
Sua mudança, seu ciclo,
guiam nossos caminhos,
enfeitiçando os românticos.
Amantes poetas. 
Uma rainha que brilha à noite.
Com a luz que planta e
florece das trevas do
universo. O conforto calor
da sombra me traz paz.
O claro pensamento que nos
unem. Como montanhas,
guardiãs imponentes que se
erguem com a mais alta
sabedoria da aventura que
deslumbra o refúgio selvagem.
Um tesouro de meditação na
pequenez alma que separa
a jornada aberta ao horizonte.
Os reflexos espelhados,
refletem a vida.
Beleza dos dias calmos.
As vestes que mudam de
cores, com a nudez dos
sussurros dos ventos ao 
outono.
Vejo silenciosas pedras,
a história da Terra,
simplicidade e resistência.
A memória eternizada do
mundo. As esculturas das
nuvens criada pela brisa dos
sonhos que pairam acima de
nós, trazendo promessas de
renovação. São majestades
poéticas, crescendo e se
espalhando como a cura
para os doentes.
Maravilhosamente!
No topo do Corcovado,
tem um Cristo amado.
O Cristo Redentor,
iluminado de amor.
Um ícone Janeiro,
de coragem e desespero.
Transcende fronteiras,
Redentor da cidade
que pede por caridade,
que não feche os braços
para a humanidade.
Por favor.
Cristo Redentor.
D.S.


ESTILHAÇO

Meu caminho sopra na direção errada, 
pensando em voz alta, usando o
ilusionismo para retratar o perverso
que mais se relaciona conosco, 
no acidente existencial, onde o fim
nunca se conclui. 
O milagre da vida é inoportuno, 
sou a advertência da minha própria 
existência, um beijo desagradável, 
eu não sou fácil! 
Futuro corrupto. 
"Por que você está atrasado?" 
"Mas cheguei cedo!" 
Sou de outra época, 
que desfruta da vida tecnológica, 
se pudesse, enforcaria meus impostos. 
Vocês me consideram muito excêntrico, 
talvez doente, doente por não ser 
igual a todos que se encantam
pela moda, pelo caro, enganados,
pelo óbvio e o transparente. 
A certeza da dúvida se confunde 
no cotidiano. Mas a tendência 
é uma fila indiana sem fim. 
O desencontro é necessário para 
a saúde. Cruzo a rua com os olhos 
voltados ao chão, e isso basta para 
continuar desgarrado. Estou sempre 
desalinhado e sem importância,
pois a aparência não me importa,
essa é a ganância de vocês. 
A guilhotina é sedutora, estou tentando 
fugir do mundo, mas ele é perseguidor.
Temos uma teia de influência, ninguém 
foi capaz de me entender, todos me 
enxergaram como adversário, mas é
apenas um pedaço do meu estilhaço.