segunda-feira, 20 de julho de 2020

A arte é livre.


EU SILÊNCIO

O silêncio se cala
em tudo que abala,
musicalizar o silêncio
é sentir a pureza que 
ninguém percebe, mas 
que mata aos poucos,
tão pouco que devasta,
ignora e assola.
O silêncio é a força do
nada, que supera e te
arreda para buscar a 
idiota razão.
O silêncio machuca
e todos sabem, como
arma, como gume, 
como adaga.
O silêncio não dorme
como o nada que existe
na mente de quem insiste, 
exila toda gratidão,
mas supera com perdão.
O silêncio é sábio
para quem sabe usá-lo,
e quem adivinhar 
meus pensamentos
estará no meu silêncio.
Pois interpretar e falar 
não importa, não adota
o teu ser para quem
quer viver e ti ter
para sempre.
És minha mente, o meu 
corpo, o meu choro sem 
lágrimas, o dito silêncio 
que estou vivendo. 

(Denis Soares).

sexta-feira, 10 de julho de 2020

A arte é livre.



EXPERIMENTOS

Quando eu virei mendigo estava rico, dormia nas ruas com monstros selvagens e a verdade.
Dias amargos, ladrões de mentes, o mundo viciado e eu largado.
Cheirei a solidão, fumei o Sistema da pura ilusão.
Mendigar é a arte do sofrer,
ganhar dos humanos o grande resto da história para ver e crer.
Quem eu sou na serventia?
Uma formiga em sua vida.
Quem eu sou no cinismo da vida?
Uma formiga na serventia.
Quando eu virei mendigo não tinha amigos.
Quando eu virei rico estava mendigo, falido pelo consumismo.

(Denis Soares).

quarta-feira, 8 de julho de 2020

A arte é livre.


CONSUMISMO

O povo corre nas ruas
louco para ter, o quê?
Consumo sem viver!
Louco para obter
o papel da dívida,
valores fedidos,
o olho do próprio outro.
Consumo sem viver
o egoísmo impresso
no mundo da esmola,
a miséria humana retratada,
a desgraça na alta,
gozada e aplaudida
nas vitrines de quinta.
O consumo é vagabundo,
não trabalha para o mundo.
O povo é molestado,
pobre e humilhado.
Mas, humilde e modesto
para submeter-se
à escrava vida consumida.

(Denis Soares).