terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

A arte é livre.


METAMORFOSE.

Eu observei um triste ser,
minha alma tocou ao chão,
logo tentei me erguer
e eu virei um grão.
Surgiu um imenso arco
com mórbidas e indefinidas 
cores. Bem atrás inúmeras 
lágrimas e os raios brilhavam 
rancores. Senti o toque frio 
dos ventos, trazendo-me 
mensagens, disse lamentos 
da própria imagem.
Agora sobrevivo entre mortas 
raízes e sinto o mínimo que 
sou. Vejo extinção do natural
no pouco lugar que restou.
O sumiço do rei animal,
abundantes queimadas,
guerra, fome e devastação
por pragas. Quanta pandemia.
No corpo ainda dores da 
escravatura e doenças sem 
curas. Mesmo sendo grão
incontável ou nada.
Lembrei do meu minúsculo
e amigo coração, que brotou 
o acontecer. Aquela amargura 
nos molhou, e os pássaros 
não paravam o canto do nascer. 
Protegido pelo meu mineral, 
amadureceu uma linda árvore, 
forte e cheia de fertilidade. 
O meu retorno sucedeu e ela 
garantiu o ritual. Florestou o 
lugar sem maldade e trouxe 
de volta o rei animal.

(Denis Soares).

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