METAMORFOSE.
Eu observei um triste ser,
minha alma tocou ao chão,
logo tentei me erguer
e eu virei um grão.
Surgiu um imenso arco
com mórbidas e indefinidas
Eu observei um triste ser,
minha alma tocou ao chão,
logo tentei me erguer
e eu virei um grão.
Surgiu um imenso arco
com mórbidas e indefinidas
cores. Bem atrás inúmeras
lágrimas e os raios brilhavam
rancores. Senti o toque frio
dos ventos, trazendo-me
mensagens, disse lamentos
da própria imagem.
Agora sobrevivo entre mortas
raízes e sinto o mínimo que
sou. Vejo extinção do natural
no pouco lugar que restou.
O sumiço do rei animal,
abundantes queimadas,
guerra, fome e devastação
por pragas. Quanta pandemia.
No corpo ainda dores da
no pouco lugar que restou.
O sumiço do rei animal,
abundantes queimadas,
guerra, fome e devastação
por pragas. Quanta pandemia.
No corpo ainda dores da
escravatura e doenças sem
curas. Mesmo sendo grão
incontável ou nada.
Lembrei do meu minúsculo
e amigo coração, que brotou
incontável ou nada.
Lembrei do meu minúsculo
e amigo coração, que brotou
o acontecer. Aquela amargura
nos molhou, e os pássaros
não paravam o canto do nascer.
Protegido pelo meu mineral,
amadureceu uma linda árvore,
forte e cheia de fertilidade.
O meu retorno sucedeu e ela
garantiu o ritual. Florestou o
lugar sem maldade e trouxe
de volta o rei animal.
(Denis Soares).
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