segunda-feira, 26 de outubro de 2020

LIVRO: Simples no Plural.

Simples no Plural.

INTRODUÇÃO.

Esse livro é para você ler    
com a convalescença 
dos sentimentos. 
Analisando em sua volta 
a imprudência da mente, 
existente do poder material, 
que vem a calhar de erros.      
A riqueza está tão perto,  
como as almas que brotam      
da inocência infância. 
Liberta na morte e o mundo 
vivencia. A vida é pequena 
e devastadora, quantitativa      
na interpretação do por que    
de tudo, e o nada esclarece      
onde tudo começou.


SEPULCRO.
Os meus olhos se abrem,
e apenas vejo a escuridão 
surgindo, na ótica dos 
alucinados assistindo 
em lugares onde ocorrem 
fatos notados de farrapos 
mendigos.
Escuto gritos de tréguas,
mas, só sinto o vestígio 
da morte me perseguindo.
Entrego-me a cruel aflição,
por habitar seres racionais 
que impõem o poder de me 
envenenar com malefícios.
Malefícios que saciam sua 
sede, exterminando a 
vegetação que mantem rica 
a oxigenação.
A cultura tem criatividade do 
ser e dever, mas, a cada 





minuto que passa tento vencer. 
Esse ser desordeiro, 
aproveitador do meu pensar 
existente, estimulando
motivos insípidos e insolentes.
Explora de mim substâncias 
que o deixa doente, procria 
a fome, afeta a irmandade 
com a pobreza.
Mas, de que seria a riqueza 
se não houvesse a natureza?
Será que é essa a vontade 
de posse, desgraçado?
Está realizado, estou vivo 
e sepultado!

INGRATIDÃO.
Você é um sábio macabro 
que busca sabedorias,
pensa que está certo,
duvido de suas fantasias.
Eu sou a cura das matas,
o seu breve retorno, 
a hidratação pelas águas
e você o meu aborto.
Estou em prantos de lágrimas
por perder este filho vivo,
que observa distúrbios e causas,
mas, não quer ser meu amigo.
Seu sentido é só destruição 
que se move por palavras,
não amamento discriminação,
sou todas as raças!
Meu amor está em todo lugar,
no voar dos pássaros 
e na hora do sol raiar.
Nas sementes dos frutos





como a simples solidão estrelar.
Sou seu corpo e alma.
Sou Terra pra ser amada.

METAMORFOSE.
Eu observei um triste ser,
minha alma tocou ao chão,
logo tentei me erguer
e eu virei um grão.
Surgiu um imenso arco
com mórbidas e indefinidas 
cores. Bem atrás inúmeras 
lágrimas e os raios brilhavam 
rancores. Senti o toque frio 
dos ventos, trazendo-me 
mensagens, disse lamentos 
da própria imagem.
Agora sobrevivo entre mortas 
raízes e sinto o mínimo que 
sou. Vejo extinção do natural
no pouco lugar que restou.
O sumiço do rei animal,
abundantes queimadas,
guerra, fome e devastação
por pragas. Quanta pandemia.





No corpo ainda dores da 
escravatura e doenças sem 
curas. Mesmo sendo grão
incontável ou nada.
Lembrei do meu minúsculo
e amigo coração, que brotou 
o acontecer. Aquela amargura 
nos molhou, e os pássaros 
não paravam o canto do nascer. 
Protegido pelo meu mineral, 
amadureceu uma linda árvore, 
forte e cheia de fertilidade. 
O meu retorno sucedeu e ela 
garantiu o ritual. Florestou o 
lugar sem maldade e trouxe 
de volta o rei animal.

INDIANISMO.
Naquele dia, aqui estou.
No azedo do pirão,
no assado da "Espera"
e na gnose de quem provou.
Pela batida do chocalho,
singelas crianças
e o harmônico ecoar
em ásperos lábios.
Passei entre sorrisos
desdentados, toquei
em palmas grosseiras
que as dermes escamavam.
Entre capins silvestres
e o grumo fluído da terra,
me fiz arpão a necessidade
para pesca. Como todos
os rostos suados
no eflúvio das águas,
lacrimejei-me um pouco 
no oco da cabaça.
Naquele dia aqui restou,




o rastro dos meus pés
descalços, a solução
nas mãos em declive
pelos dedos, e as aquarelas
primárias dos meus segredos.

INÚTIL.
Inútil é ser humano babaca,
o ser animal, não ter paz 
e achar que é mais.
No conflito das raças
constantes batalhas.
Inútil é ser embalado,
propagado e consumido.
Ser o desejo do mundo,
a porcaria vendável e cara.
O câncer de tudo
para ter utilidade
só pela vaidade.
Inútil é ser individualista,
racista nessa vida fodida.

CATACLISMO.
Não quero nome nem registro,
divisões e muralhas.
Com pudores obsenos
e epidemia de fardas.
Não quero sonhar
em dançar aquela valsa,
pela íntima supremacia
e o bruxo desejo da alma.
Não quero ser o latim
das tragédias e nomenclaturas.
Intelectuais irracionais
e suas licenciaturas.
Não quero apodrecer no tempo
como a descoberta da roda,
nem ser capaz
de me limitar nas 24 horas.
Não quero teu abraço
enflorescendo sangue na chuva, 
anoitecendo pela morte
no olhar triste da lua.





Renascer o esquecido, 
viver seu próprio extinto,
envelhecer sem você,
morrer pela verdade.
Quero minha liberdade.
São pedras no estreito
caminho. Nesse canibal
cataclismo.

LEVIATÃ.
Aonde está 
e não alcançar?!
Com promessas de ateu
na missão de quê se julga.
Guerrilhas cor-de-rosa
no azul fúnebre
do silêncio anil.
Ecumênicos espinhos,
repetição do passado,
telhados de papel,
perpetua o acaso. 
Entre navios negreiros,
lâminas de pétalas.
Pobreza, riqueza,
sugestões e as guerras.
O núcleo edita tudo,
até eiva da religião.
Egocêntricos vírus
com você em putrefação.
Há um grande descarrego
profundamente em você.




Além de quê pergunta
do abstinente obscurecer.
Enfada o que não muda
da sua fajuta e instigada vida
leviatã esquecida.

PARTIDO.
Deus privilegiou 
um lugar natural 
que no universo
não tem igual, 
mas querem governar, 
dividir o meu lar.
Mostrar do que é capaz 
em suas fronteiras.
A ignorância de bandeiras...

SINAIS DE DÍVIDAS.
Eu vou tomar em conta 
o prazer da maldição
que fala de mistérios
com intrigas e covardias.
Os pilares da política 
insuficiente no que dita 
com medalhas de guerrilhas.
Eu vou tomar em conta
o comércio que me cobra,
na rua do imposto que abate, 
que esmola. 
O teu mundo sem resposta, 
a natureza publicada em dólar, 
tão Real como o Brasil 
que se explora.
Eu vou tomar em conta 
o quê indaga a eternidade 
no céu que não se toca
sem saber se vai ou se volta.
A bravura do futuro
no avanço obscuro
do medo de um erro.




A minha visita nesse cemitério, 
nesse inferno.
Não vou somar a conta,
nem dividir para engolir
o múltiplo de tudo que subtrai
algo a mais!

A CRUZ DE FERRO.
Crucifiquem os ladrões
e saquei seus bens.
Herdeiros das trevas
com seus diabólicos ternos, 
merecem a cruz de ferro.
Símbolo de força material, 
porque neste comitê 
de bandidos todos são 
meus inimigos.
Que reine a ordem aprovada 
com poder de destruição, 
satura a hipocrisia adotada,
eu só edifico questão.
Emito acordes de violão,
com atitude distingo a realidade, 
no meu dialeto um esporão, 
falo com toda liberdade. 
Criminosos de gravatas 
no mundo atual, razão social 
do eleitoral. Com sua cúmplice 





votação como forma de opinião,
para cruel humilhação do seu 
próprio chicote que açoita com 
classe a burra humanidade.

SUAS LOUCURAS.
Estar comigo é gritar,
impedir dúvidas da mente.
Na gratidão da ignorância,
vivenciar ambições,
regredir o silêncio.
Estar comigo é mendigar,
inventar valores, planejar
motivos, intrigar o suportável.
Crer nas grotescas virtudes
do mundo vadio.
Estar comigo é trafegar
solitário, obter vícios,
querer caminhos
do certo ao duvidoso.
Faz parte das manchetes
sangrentas do individualismo
confinado, desvairado 
e aplaudido.
Estar comigo...
É estar consigo!
A loucura do possível.

ÁTOMO.
Eu ouvi o silêncio
nas águas dos seres,
um banquete inesgotável
de sonhos reais,
exuberante reinos
que cheira a vida.
Muralhas de pedras
desprezam metrópoles.
Contempla a natureza,
reverbera e respira
o segredo escondido.
Comecei a ouvir melhor
no vasto da escuridão,
quando vi o invisível
no topo do cume
ao poço profundo
do simples plural.
Sou tudo, sou nada!
O átomo da alma.

FELICIDADE.
A felicidade é uma rosa,
tem seu tempo,
brota quando molha
num lindo infinito
com medo dos segredos.
A felicidade é um gesto,
o simples natural.
A vontade da felicidade
é erguer o pouco e a todos,
mas, ela é sorte,
não vem por querer
e não se explica o porquê.
Ninguém gosta da felicidade,
mas o feliz momento que
ela proporciona!
Vencer feliz é morrer infeliz.
Ela não se descarta
como um jogo que tem fim.
Viver momentos,
gritar lamentos.





Como sorrir infeliz
e o choro que diz
o meu querer é você,
feliz ou infeliz, felicidade!

VIVO.
O chão termina nos pés
definhando nos topos
como desfila a cegueira
da rústica imensidão.
Eu passo inquieto
nos fiapos intocáveis
como a água que lavra
a música revelada.
Aparto-me entre montanhas
e não canso de olhar
o rasante voo
da bela embriaguez
que se esconde dentro
desse paraíso.
Ensolarado és perfeito.
Mas, a vida minguante
que amortece o simples
temor do infinito
é lição ao Homem
e saber dos Gigantes.

UNE VERSO.
Minha escrita pousa
nas nuvens, descrevendo
o belo deserto do imenso 
Universo de escuridão.
A inquietude singular
do espaço, pecorre-me
à imaginação, eclodindo
meus pensamentos
do tempo e silêncio.
A obra-prima intrigante,
porém fascinante,
é um ponto azul,
em lugar nenhum,
na radiante eternidade.
Vibra meu ofegante olhar
para o desconhecido,
nesse frio latido 
de cães ferozes.
Flutua a prateada





ao alcance da madrugada,
brotando nua,
sensível e transparente.
No portão do céu,
brilhos no jardim do infinito,
com o cosmo florido,
lá sozinho, de laços
íntimos com o Criador.
A luminosa estrela
cadente, acende para
os sonhos, com a clareza
que somos um punhado
de areia na sarjeta
do celestial.
A sinfonia da paz,
onde reside a poesia de Deus.

AMBIÇÃO.
Eu sugeri o prazer 
no infindável momento,
nascer chorando, morrer
amando. É inegável meu 
luto ao mundo de leis,
regras, discrepâncias
e tragédias. 
Lamento Kamikazes, 
crianças abandonadas,
homens de pólvora, 
guerras armadas.
É triste o que existe!
A mentira não dorme
tranquila. E no instante
que perdia a liberdade
da vida. Caminhava
para derrota a revolta
das massas. Atitude que
se alimenta de lágrimas.





Meu silêncio é irônico
no acalento clamor
de viver. Proteste contra
toda a história amarga,
mal contada e terá a
vitória desse povo que
constrói tudo por um
pagamento absurdo. 
O pão, o não que é cuspido 
na cara dessa raça humana.
É por dinheiro que se vive os 
impropérios da desigualdade
que reflete no espelho do mundo. 
O ser Humano escraviza vidas 
em busca de utopias. Vaidades 
que o capitalismo lhe impõe 
e lhe propõe a morte da alma. 
O capitalismo mata as espécies 
e os miseráveis se divertem!

SÓ PAPO?!
Discursos idôneos
convencem dois,
bem e mal.
Incide a luz
que brilha no escuro
os seres amargos
que apelam à paz,
entretanto, com guerras.
São conversas afiadas
que ilude a verdade
com o dom das palavras,
desconversando com 
mentiras, ludibriando 
as massas.
O blá blá blá dos canalhas.

CONSUMISMO.
O povo corre nas ruas
louco para ter, o quê?
Consumo sem viver!
Louco para obter
o papel da dívida,
valores fedidos,
o olho do próprio outro.
Consumo sem viver
o egoísmo impresso
no mundo da esmola,
a miséria humana retratada,
a desgraça na alta,
gozada e aplaudida
nas vitrines de quinta.
O consumo é vagabundo,
não trabalha para o mundo.
O povo é molestado,
pobre e humilhado.
Mas, humilde e modesto
para submeter-se
à escrava vida consumida.

EXPERIMENTOS.
Quando eu virei mendigo 
estava rico, dormia nas ruas 
com monstros selvagens 
e a verdade.
Dias amargos, ladrões 
de mentes, o mundo viciado 
e eu largado.
Cheirei a solidão, fumei 
o Sistema da pura ilusão.
Mendigar é a arte do sofrer,
ganhar dos humanos 
o grande resto da história 
para ver e crer.
Quem eu sou na serventia?
Uma formiga em sua vida.
Quem eu sou no cinismo 
da vida?
Uma formiga na serventia.
Quando eu virei mendigo 
não tinha amigos.





Quando eu virei rico 
estava mendigo, falido 
pelo consumismo.

EU SILÊNCIO.
O silêncio se cala
em tudo que abala,
musicalizar o silêncio
é sentir a pureza que 
ninguém percebe, mas 
que mata aos poucos,
tão pouco que devasta,
ignora e assola.
O silêncio é a força do
nada, que supera e te
arreda para buscar a 
idiota razão.
O silêncio machuca
e todos sabem, como
arma, como gume, 
como adaga.
O silêncio não dorme
como o nada que existe
na mente de quem insiste, 





exila toda gratidão,
mas supera com perdão.
O silêncio é sábio
para quem sabe usá-lo,
e quem adivinhar 
meus pensamentos
estará no meu silêncio.
Pois interpretar e falar 
não importa, não adota
o teu ser para quem
quer viver e ti ter
para sempre.
És minha mente, o meu 
corpo, o meu choro sem 
lágrimas, o dito silêncio 
que estou vivendo. 

SOU HUMANO.
Sinto que o povo está 
com medo de algum 
monstro invisível.
O Homem é o erro do 
Homem e os mentirosos 
são os mesmos.
O mundo é uma bola de 
neve que te trai com o 
tempo, o tempo que passa, 
a vida é o tempo.
Tenho observado seus 
valores mesquinhos, 
você fede, você some.
E a magia do incontestável 
sentido das coisas boas,
o pior, o melhor, o mais 
e o menos. O mundo 
verdadeiro é correto!
A natureza é minha única 
razão para acreditar em 
mudanças, pois do ser 





humano as formas
são impensáveis e a
solução sempre acaba
em guerras.
Lamentável ser um...

DIA A DIA.
Eu vi tuas cinzas,
paranóias em Berlim,
sugeri as drogas
e o choro desbravado.
Contido nessa era,
perambulando pelo 
inferno dos dias iguais,
entre ratos e os demais.
A mão humana
e a tristeza do mundo
em nós, hoje e ontem.
O amanhã sem memória,
voltando à infância,
buscando esperança.
Assim segue a trilha
com o egoísmo e a 
decadência que sentimos. 
São doenças eternas em 
nossas vidas, nesses 
dias de utopias!

SOFRER.
Sou digno e admiro
a empreitada que
resulta em experiências.
Largado em turmas,
vivendo nas ruas,
com jóias que denotam
mentes inteligentes. 
São eles, os reprimidos, 
os agredidos.
O efeito perfeito do
sofrimento.
Mas o defeito é, prendar 
atos libidinosos, estimar 
doutrinas, beneficiar 
reinos, intoxicar o corpo,
erguer bandeira a todos.
Ser a arma branca,
a negra esperança
do cinismo que zomba





com atitudes baratas.
Peço desculpa pelo
palavrão,mas, tudo isso
é uma desgraça.
O sofrimento causa
conquistas. Porém,
sofrer é tudo!

LUCIDEZ.
Hoje quero atropelar os carros,
engolir os malditos,
invadir a praça,
extrair e cagar com palavras.
A sociedade anormal,
à mercê de uma razão.
Diferente é ser julgado
por homens bonecos
desse mundo engraçado.
Somos o crime,
linguagem ridícula,
o surto demente
da guerra que cria.
Rejuvenesço a embriaguez
da profunda lucidez,
parecendo talvez
a bomba do suicídio,
amarga realidade
da pura verdade





dos tempos modernos.
A mente dos oprimidos,
vivendo no mundo de bandidos. 

FIM.
Eu sou a dúvida 
e o por quê!?
Entre mudanças
e a certeza de ser.
O bandido de um mito,
imaginários horizontes,
o brinde da natureza.
Um dia ali, outro assim...
tão perto que não
possa oprimir.
Circundando todos
na conduta do açoite,
no verso de quem precisa.
Entre Gregos, Romanos
e os fenômenos.
O Bem e o Mal,
um pouco de mim.
O inverso e o fim.

J. FLOYD(homenagem).
Minha imagem censurada,
estou abaixo de todos, cara.
E não posso fazer nada!
Estou no ponto do trem,
e eu sei que ele vem.
A vida não presta,
mas, vivemos na ilusão
de festa. Deixo a tristeza
para quem quiser,
mais um beijo para 
minha mulher.
Morrer para mim
é como vencer.
Eu fui traído pelo meu 
vício, uma ambição
febril. Talvez, um pouco
imbecil.
Mas tudo passou,
para mim foi um Show!

A poesia é livre, 
no infinito universo da arte!
Simples no plural.

Autor: Denis Soares.





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